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SBT apresenta travestis e transformistas no Show de Calouros

Amanda Rocha
Última atualização: 14 de março de 2026 17:21
Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O apresentador Ratinho fez comentários transfóbicos durante seu programa em uma emissora de televisão aberta do Brasil. O SBT, que garantiu espaços na grade de programação para pessoas transsexuais, transformistas, drag queens e a comunidade LGBTQIAP+, projetou luxuosas travestis e transformistas no palco do Show de Calouros.

A transgeneridade na televisão aberta foi liderada por Silvio Santos a partir dos anos 1980. Segundo Sousa Neto, doutorando em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, essas figuras eram vistas como exóticas e confundiam os telespectadores com suas performances e corpos que já existiam na transgeneridade.

Neto observa que essas mulheres e transformistas estão frequentemente na marginalização, até que possam ser úteis ao entretenimento, o que gera um ilusório teor de representatividade. O Show de Calouros já apresentava transformistas na grade de atrações desde 1996, refletindo o contexto social da época.

O comentário ofensivo feito por Ratinho contra a deputada federal Érika Hilton exemplifica o comportamento histórico da mídia em relação às expectativas da sociedade conservadora brasileira. Em 1953, a Revista Manchete apresentou travestis sob o gênero masculino, um padrão que Silvio Santos também seguiu ao longo de sua carreira.

As performances na televisão aberta permitiram que essas identidades fossem questionadas, embora legitimassem o interesse da emissora no espetáculo. Hilton, que ocupa a Comissão das Mulheres da Câmara dos Deputados, representa uma demanda por visibilidade e reconhecimento.

O estado brasileiro reconhece a transexualidade por meio de normas e políticas públicas na área da saúde. Em 1997, o Conselho Federal de Medicina autorizou cirurgias de redesignação sexual em caráter experimental no Brasil. Embora o país ainda não tenha uma lei específica de identidade de gênero, o sistema jurídico passou a reconhecer a identidade de gênero como um direito fundamental.

Os episódios de transfobia na mídia revelam conflitos culturais e a transformação das estruturas sociais brasileiras.

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