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Semad inicia consulta para avaliar risco de extinção de 261 espécies de peixes

Amanda Rocha
Última atualização: 27 de março de 2026 16:00
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.
Semad inicia consulta para avaliar risco de extinção de 261 espécies de peixes

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) iniciou uma nova consulta pública, que ocorrerá de 27 de março a 27 de abril, para avaliar o risco de extinção de espécies de peixes em Goiás. O foco desta consulta será a Ordem Characiformes, que abrange 261 espécies.

As contribuições podem ser feitas pelo site BioData. Os interessados devem escrever o nome da espécie que desejam avaliar na aba em branco, clicar na espécie de interesse no botão “consultar” e preencher as informações na aba “contribuições”. As contribuições serão analisadas por especialistas para inclusão em uma ficha de espécies.

O objetivo da consulta é direcionar esforços para a conservação da biodiversidade em nível local. Nos últimos meses, a Semad realizou três oficinas de avaliação, onde mais de 150 espécies já foram categorizadas, incluindo peixes anuais (Rivulídeos), arraias e bagres.

Max Vinícius de Paula, gerente de conservação, biodiversidade e fauna da Semad, destacou que a Ordem Characiformes é um dos maiores destaques da riqueza de peixes de água doce no Brasil. Este grupo está presente em praticamente todas as grandes bacias hidrográficas do país e inclui algumas das espécies mais conhecidas da fauna aquática nacional, com forte presença na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

Os Characiformes brasileiros apresentam grande diversidade de formas e hábitos, incluindo desde pequenos peixes que vivem em cardumes até grandes predadores. Exemplos emblemáticos incluem a piranha, conhecida por seus dentes afiados, e o tambaqui, que desempenha um papel ecológico essencial ao se alimentar de frutos e ajudar na dispersão de sementes nas áreas alagadas da floresta.

““Nos ecossistemas brasileiros, esses peixes exercem funções essenciais para o equilíbrio ambiental. Eles participam do controle de populações de outros organismos, auxiliam na ciclagem de nutrientes e, em alguns casos, contribuem diretamente para a regeneração da vegetação ribeirinha”, diz Max.”

Apesar da importância dos Characiformes, a fauna brasileira enfrenta desafios significativos, como a poluição dos rios, o desmatamento, a construção de hidrelétricas e a introdução de espécies exóticas, que impactam diretamente os habitats naturais desses peixes. “Como consequência, algumas populações já apresentam sinais de declínio”, alerta o gerente.

Esta será a primeira vez que Goiás terá sua própria lista de espécies ameaçadas de extinção. Atualmente, existem dados em nível nacional, produzidos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Assim, pode haver espécies ameaçadas em Goiás que não são reconhecidas nacionalmente.

A Semad espera avaliar todas as 1,7 mil espécies de vertebrados do estado, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes, além de cerca de 900 espécies de invertebrados, como libélulas, aracnídeos, moscas e abelhas. Para isso, toda a comunidade científica está sendo convocada a participar do processo de consulta ampla.

A avaliação de risco de extinção seguirá a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), também utilizada pelo ICMBio. O sistema BioData foi desenvolvido para permitir a avaliação, o armazenamento e a disponibilização de dados da biodiversidade goiana, atualmente restrito a gestores públicos e especialistas. Ao final das avaliações, o sistema será disponibilizado ao público.

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