A série brasileira Emergência Radioativa, que dramatiza a tragédia do espalhamento de Césio-137 em Goiânia, se tornou a produção em língua não-inglesa mais assistida da Netflix nesta semana.
Desde sua estreia em 18 de março, a série acumulou mais de 10,8 milhões de visualizações e figurou no Top 10 de 55 países nos últimos sete dias. Na semana anterior, a produção ocupava o quarto lugar no ranking mundial da Netflix.
A trama se passa em setembro de 1987, quando Devair Ferreira, dono de um ferro-velho em Goiânia, comprou de dois catadores uma cápsula de chumbo encontrada em uma antiga clínica. Ele notou que o material emitia um brilho azulado, vindo de um pó fino em seu interior. Sem saber do perigo, levou o material para casa e mostrou à família, compartilhando com amigos e parentes.
O pó brilhante era, na verdade, césio-137, uma substância altamente radioativa que havia sido abandonada em uma clínica desativada. Com a exposição, as pessoas começaram a adoecer rapidamente, dando início ao maior acidente radioativo da história do Brasil, retratado na minissérie.
Protagonizada por Johnny Massaro, que interpreta o físico que descobriu a contaminação, Emergência Radioativa é a mais recente produção a abordar o caso. O acidente de Goiânia já foi mencionado em outros trabalhos, como o curta Ilha das Flores (1989) e o longa Césio 137 — O Pesadelo de Goiânia (1990), além de diversos documentários e livros.
Desconhecendo o perigo e negligenciada pelas autoridades, a população de Goiânia enfrentou graves consequências. A esposa de Devair, Maria Gabriela, levou a cápsula à Vigilância Sanitária, alertando sobre a possível causa dos adoecimentos, mas a queixa não foi levada a sério de imediato, atrasando a contenção da contaminação.
Oficialmente, quatro pessoas morreram nos dias seguintes à exposição ao césio, incluindo Maria Gabriela e Leide das Neves, de 6 anos, que ingeriu o material após brincar com o pó. A Associação das Vítimas do Césio 137 estima que ao menos 107 pessoas morreram nos anos seguintes devido a problemas relacionados à radiação, afetando cerca de 1.600 pessoas diretamente.

