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Setor têxtil pressiona recursos hídricos e acelera mudanças na produção

Amanda Rocha
Última atualização: 19 de março de 2026 10:59
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A indústria da moda, uma das mais relevantes da economia global e latino-americana, tem aumentado a pressão sobre os recursos hídricos em diversas etapas da produção, desde o cultivo de matérias-primas até o acabamento das peças.

Estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o setor é responsável por cerca de 20% da poluição global da água doce, levando empresas e especialistas a reavaliar seus modelos produtivos. A gestão eficiente da água é vista como um fator estratégico para a competitividade industrial.

Na América Latina, onde o setor têxtil é importante para a geração de emprego e renda, soluções que reduzem a pegada hídrica estão se tornando parte da agenda de transformação da cadeia produtiva.

O impacto hídrico da indústria da moda começa na produção de fibras. O algodão, uma das matérias-primas mais utilizadas, pode demandar entre 7.000 e 29.000 litros de água para produzir um quilo. Em comparação, culturas alimentares, como cereais, utilizam cerca de 1.000 litros por quilo.

Além da agricultura, os processos industriais também aumentam o consumo. O tingimento de tecidos pode exigir até 150 litros de água por quilo de material produzido. Na América Latina, cerca de 80% das águas residuais são descartadas sem tratamento adequado, segundo o Banco Mundial, ampliando os impactos ambientais.

A pressão sobre os recursos hídricos tem acelerado a adoção de tecnologias voltadas à eficiência produtiva. Empresas do setor têxtil têm investido em soluções que reduzem etapas e desperdícios. A Epson, por exemplo, desenvolveu sistemas de impressão digital que substituem processos tradicionais de tingimento, reduzindo o consumo de água em até 97%.

A digitalização também altera a lógica de produção, permitindo a produção sob demanda e reduzindo perdas associadas à superprodução. Equipamentos mais compactos possibilitam a instalação próxima aos centros de consumo, encurtando as cadeias logísticas e diminuindo o impacto ambiental.

A economia circular está ganhando espaço como resposta aos desafios ambientais do setor. Tecnologias de reciclagem têxtil, como a Dry Fiber da Epson, permitem a produção de novos materiais sem o uso intensivo de água, alinhando-se aos princípios da economia circular.

A sustentabilidade está se tornando um requisito competitivo na indústria da moda. A redução do consumo de água e a eficiência operacional estão cada vez mais integradas às decisões estratégicas das empresas, especialmente em regiões onde o setor é relevante para a economia.

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