O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem mantido um silêncio notável, evitando aparições públicas e decisões que são de sua responsabilidade. Essa situação gerou especulações em Brasília sobre a paralisia do Parlamento.
Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deu um prazo de 48 horas para que Alcolumbre autorizasse a ampliação do funcionamento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O pedido de prorrogação foi apresentado há mais de 100 dias, mas Alcolumbre não se manifestou.
A CPMI do INSS foi criada em agosto para investigar um escândalo de corrupção que desviou cerca de R$ 4 bilhões das aposentadorias. A operação criminosa foi desbaratada pela Polícia Federal, resultando em prisões e na demissão do ministro da Previdência.
Entre as revelações da CPMI, destaca-se que o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tinha ligações com o Congresso. Além disso, o advogado Paulo Boudens, ex-assessor de Alcolumbre, recebeu R$ 3 milhões de uma empresa ligada ao lobista, sem que o motivo do pagamento fosse esclarecido.
Alcolumbre decidiu manter em sigilo por 100 anos os registros de visitas do lobista aos gabinetes, justificando a proteção da privacidade dos parlamentares. A situação se complica ainda mais devido a ligações de Frei Chico, irmão do presidente Lula, e de Fábio Luís da Silva, Lulinha, filho do presidente, com o escândalo.
O relacionamento de Alcolumbre com o governo se deteriorou após o presidente Lula anunciar a indicação de Jorge Messias para o STF, contrariando um suposto acordo anterior. Alcolumbre se sentiu traído e ameaçou boicotar a indicação.
Além disso, a Polícia Federal investiga o Amapá Previdência, onde Alcolumbre tem vínculos familiares. Dois pedidos de criação de CPI sobre o caso Master foram deixados na gaveta pelo senador, resultando em mais pressão do STF.
Recentemente, Alcolumbre buscou conselhos com Renan Calheiros (MDB-AL) e admitiu estar enfrentando dificuldades. Apesar de sua aparente fragilidade, ele ainda possui poderes significativos, como decidir sobre pedidos de impeachment e marcar sabatinas.
O Congresso está paralisado, com 77 vetos presidenciais aguardando análise e projetos importantes sem andamento. Alcolumbre tem adiado reuniões com líderes de bancada, utilizando sua reclusão como moeda de troca nas negociações com o governo e a oposição.
Na terça-feira, 24, lideranças do MDB se reuniram com Lula, onde discutiram a política e a possibilidade de apoio à reeleição do presidente. Um convite para a vice-presidência foi sugerido, e Alcolumbre pode não ser mais um obstáculo para a aprovação de Jorge Messias.

