Um socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) salvou um bebê de dois meses que estava engasgado e sem respirar em São Vicente, no litoral de São Paulo. O resgate ocorreu na noite de terça-feira, 17 de março de 2026, quando a família levou o recém-nascido até a base da corporação.
O profissional Adilson Pereira de Azevedo, de 39 anos, estava fora de serviço, mas atendeu a emergência. Segundo Adilson, a mãe havia acabado de alimentar o bebê. Ele relatou: “Na hora em que percebi a gravidade, foi como se o tempo parasse por um instante. Mas, ao mesmo tempo, tudo aconteceu muito rápido. Não dá tempo para pensar, nem para hesitar.”
Adilson realizou a manobra de Heimlich, um procedimento de emergência para desobstruir as vias respiratórias em casos de engasgo. Ele conseguiu reverter a situação. “Foram poucos segundos… mas, para quem está ali, parece uma eternidade. Cada instante é carregado de tensão, de incerteza, até que vem a resposta. E quando o bebê volta a respirar, é como se a vida voltasse junto. É um alívio difícil de explicar”, afirmou.
Após os primeiros socorros, a família do bebê ficou emocionada. Adilson comentou: “Estava completamente desesperada, sem saber o que fazer. É uma cena muito forte. E quando o bebê reagiu, veio o alívio. Vieram as lágrimas, o choro, o desabafo.” O bebê foi encaminhado ao Pronto-Socorro Central, onde passou por avaliação clínica e exames, como raio-X de tórax. Como não foram detectadas alterações, ele recebeu alta médica e a equipe orientou a mãe sobre os sinais de perigo em casos de engasgo.
Adilson, que atua no Samu há aproximadamente nove anos, destacou que essa foi a primeira vez que precisou atuar fora de serviço no resgate de um recém-nascido. “A responsabilidade pesa ainda mais, porque é uma vida extremamente frágil ali, dependendo de você”, disse. Ele seguiu as etapas do treinamento, mesmo nervoso, para salvar a vida do bebê.
A experiência foi marcante para Adilson, especialmente pelo lado pessoal. “Fica na memória, fica no emocional. Principalmente depois que tudo passa, quando você para e começa a refletir sobre o que aconteceu. E, além de profissional, eu também sou pai. Tenho filhos pequenos, então eu consigo sentir, de verdade, o desespero daquela família.”
Ele ressaltou que a ação reforça o propósito da profissão: “São nesses momentos que a gente entende o peso, mas também o valor imenso de poder fazer a diferença na vida de alguém.”

