Um novo estudo publicado na revista PLOS Biology investiga a relação entre sonhar e a profundidade do sono. Os pesquisadores focaram nos despertares durante o sono não-REM 2 (NREM2), que representa cerca de metade do tempo total de sono.
Os cientistas realizaram experimentos de despertares em 44 participantes durante o NREM2 e pediram que relatassem suas experiências, incluindo se estavam sonhando. Quando despertados de sonhos imersivos, os participantes relataram ter se sentido profundamente adormecidos, mesmo que os padrões elétricos do EEG indicassem uma atividade cerebral mais consciente.
““O cérebro pode se tornar mais ativo, mais acordado, e ainda assim podemos sentir que estamos profundamente adormecidos se estamos sonhando”, afirma Dr. Giulio Bernardi, professor da IMT School for Advanced Studies Lucca, na Itália.”
O estudo sugere que a sensação de sono profundo pode estar ligada à experiência de sonhos vívidos. No entanto, a pesquisa não aborda diretamente a qualidade do sono pela manhã, o que dificulta a separação dos efeitos dos sonhos e dos múltiplos despertares.
A pesquisadora Karen Konkoly, da Universidade de Cambridge, que não participou do estudo, compartilhou sua experiência em um estudo semelhante, destacando que a percepção de estar profundamente adormecida estava associada a sonhos imersivos.
““Para mim, a melhor maneira de saber que estava profundamente adormecida é quando fui despertada de um sonho imersivo. Eu sabia que estava dormindo porque estava sonhando”, escreveu Konkoly.”
Bernardi observa que, embora sonhar indique sono, isso não implica necessariamente em sono profundo. Ele ressalta que participantes relataram ter se sentido profundamente adormecidos mesmo sem lembrar do conteúdo dos sonhos, apenas com uma impressão geral de estar em um estado rico ou imersivo.
O estudo destaca que a percepção do sono pode ser poderosa. Muitas pessoas que relatam insônia, na verdade, estão adormecidas durante a maior parte da noite, mas sua percepção do sono pode estar distorcida. Além disso, a experiência de “sonhos épicos”, onde as pessoas sonham a noite toda com tarefas repetitivas, pode resultar em cansaço extremo ao acordar.
““No final, quando acordam pela manhã, estão super cansadas, como se tivessem trabalhado a noite toda”, conclui Bernardi.”

