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Suspensão do serviço do PicPay pelo GDF após suspeitas de irregularidades

Amanda Rocha
Última atualização: 25 de março de 2026 15:24
Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O serviço de adiantamento salarial do PicPay foi suspenso pela Secretaria de Economia do Distrito Federal após o Tribunal de Contas do DF apontar suspeitas de descontos irregulares aos servidores. O contrato do PicPay, que pertence ao grupo J&F, está sob investigação da CPMI do INSS.

O escritório do governador Ibaneis Rocha recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F quatro dias após o cadastro do PicPay junto ao GDF. A CPMI do INSS começou a investigar as transações do PicPay, que foi a única entre quatro empresas habilitadas a operar o programa “Meu INSS Vale+”, que foi suspenso após cinco meses por suspeitas de irregularidades.

O Tribunal de Contas informou que o PicPay cobrava uma “taxa de antecipação” pelo uso do serviço, apesar de afirmar que a operação era “sem juros”. O documento do Tribunal aponta que, independentemente da nomenclatura, a taxa possui a natureza econômica de custo do crédito, sendo considerada uma forma de juro.

O PicPay, em resposta, negou a existência de descontos irregulares e afirmou que o adiantamento pode ser recebido sem tarifa via cartão. O Tribunal de Contas também observou um aumento significativo na adesão ao serviço, com R$ 81,6 milhões movimentados nos últimos dois anos.

A Secretaria de Economia justificou o aumento na adesão ao fato de que a operação começou em outubro de 2024, com maior divulgação ao longo do ano seguinte. O Tribunal recomendou a suspensão dos novos descontos, o que foi acatado pela Secretaria.

O escritório de advocacia de Ibaneis Rocha recebeu R$ 34 milhões do grupo J&F em 15 operações entre outubro de 2024 e outubro de 2025. Os pagamentos foram feitos em um padrão de R$ 1 milhão no início de cada mês, além de um pagamento de R$ 5 milhões em dezembro de 2024.

O PicPay esclareceu que o adiantamento é voluntário e não há indícios de descontos irregulares. A Secretaria de Economia informou que o modelo de antecipação salarial está sob análise do Tribunal de Contas e que novos adiantamentos foram suspensos até um posicionamento do órgão.

A J&F afirmou que qualquer relatório que mencione quebra de sigilo bancário deve ser investigado pelas autoridades competentes. O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria defendeu que atua de forma íntegra e repudia tentativas de criminalizar a advocacia.

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