O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (24) que o Estado “não vai deixar um crime como esse impune” ao comentar a investigação do feminicídio da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada baleada no dia 18 de fevereiro em seu apartamento no Brás, na capital paulista.
A declaração foi feita durante um evento de entrega de viaturas e equipamentos para as polícias Civil, Militar e para o Corpo de Bombeiros. Tarcísio destacou que a “melhor resposta” ao caso é garantir que o responsável seja responsabilizado de forma exemplar.
“”O posicionamento público é prender o criminoso e apresentar à Justiça, e não deixar um crime desse em vão, impune. A melhor resposta que a gente pode dar para o caso da PM Gisele, que a gente lamenta muito, como a gente lamenta cada feminicídio, é a punição dura do responsável”, disse.”
O tenente-coronel Geraldo Leite, marido da PM, é o principal suspeito do crime e deve ser julgado e condenado “com todo o rigor da lei”. Tarcísio afirmou que o policial que cometeu o feminicídio está preso e que a expectativa é que ele seja julgado e condenado.
Na última quarta-feira (18), o tenente-coronel foi preso preventivamente e se tornou réu na Justiça por feminicídio e fraude processual. O Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de liberdade da defesa, mantendo a prisão do oficial.
Novas mensagens que surgiram indicam controle, ciúmes e comportamento abusivo por parte do tenente-coronel, incluindo declarações de que, por ser o provedor, a esposa deveria “contribuir” com sexo. A discussão sobre se o caso será julgado pela Justiça comum ou pela Justiça Militar também está em andamento.
Uma câmera corporal registrou um médico socorrista afirmando que Gisele ainda tinha batimentos cardíacos ao ser atendida, embora o quadro fosse compatível com provável morte encefálica. O Ministério Público afirmou que laudos periciais e mensagens analisadas indicam que o tenente-coronel segurou a cabeça de Gisele e atirou contra ela, descartando a hipótese de suicídio.
O caso é o primeiro desde 2015 em que um oficial da Polícia Militar de São Paulo é preso por feminicídio. O MP pediu que, em caso de condenação, seja fixada uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima.
A defesa do tenente-coronel nega o crime e afirma que ele colaborou com as investigações. Em audiência de custódia, Geraldo reiterou que a esposa cometeu suicídio.

