A Prefeitura de São Paulo demoliu no último fim de semana o prédio do Teatro de Contêiner, localizado na Rua dos Gusmões, na região da Cracolândia, Centro de São Paulo.
O espaço estava em disputa judicial desde o ano passado entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a Companhia Mugunzá de teatro, que gerenciou o local por décadas. Em agosto de 2024, a prefeitura iniciou negociações para a devolução de uma parte da área ocupada pelo teatro, que estava sob a responsabilidade do grupo desde 2016.
A ordem de despejo foi emitida em agosto de 2025, gerando grande comoção na classe artística. A Prefeitura informou que o teatro ocupou irregularmente a área por quase dez anos, realizando ligações clandestinas de água e luz, conforme registrado em boletim de ocorrência.
““Neste final de semana, nós fomos surpreendidos com a demolição sumária do Teatro de Container, numa obra sem alvará, sem placa de identificação, sem representantes técnicos da empresa aqui fazendo essa demolição”, disse Marcos Felipe, um dos coordenadores da Cia Mugunzá.”
Felipe afirmou que, em dezembro, foi assinado um acordo com a prefeitura para a transferência do teatro para um novo espaço na Rua Helvétia. No entanto, em janeiro, a prefeitura lacrou o Teatro de Contêiner e, nos últimos três meses, tentaram se comunicar com a administração municipal para organizar a mudança.
“Todos esses contêineres foram levados para um terreno na Avenida do Estado”, declarou Felipe. Ele criticou a gestão municipal, que ofereceu R$ 100 mil para ajudar na mudança, mas gastou R$ 1,2 milhão com a demolição e remoção dos contêineres.
““Por que vocês gastaram dinheiro público tirando essas estruturas daqui e levando para a Avenida do Estado, ao invés de levar para a Rua Helvétia, onde será reconstruído o teatro?”, questionou.”
A Prefeitura de São Paulo respondeu que o Teatro de Contêiner ocupou irregularmente a área e que a gestão atual dialogou com o grupo, repassando R$ 2,5 milhões para as atividades da companhia e oferecendo quatro alternativas de terrenos para a transferência.
““A Prefeitura reintegrou a área ocupada irregularmente, cumprindo decisão judicial, e vai construir no local um empreendimento habitacional e espaço de lazer”, informou a administração municipal.”
O alvará para a demolição foi emitido em 22 de setembro de 2025, e o desmonte das estruturas metálicas teve respaldo legal e judicial. A desmontagem começou no dia 16 de março e deve ser concluída até o dia 31, com transporte realizado à noite para evitar transtornos no trânsito.


