O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso na manhã de 18 de março, declarou em interrogatório que tomou banho após a morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, para se sentir melhor e ‘abaixar a pressão’. O militar, de 53 anos, justificou que a água quente poderia ajudar a reduzir sua pressão arterial, que estava alta.
Durante o atendimento da ocorrência, as câmeras corporais dos policiais registraram que Geraldo foi orientado a não tomar banho, mas ele se recusou a seguir o procedimento padrão, que exigia que ele colocasse uma camiseta e fosse diretamente ao distrito policial. Ele insistiu: ‘Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu tô falando. Eu vou tomar banho’.
Questionado pelo delegado sobre sua atitude, o tenente-coronel afirmou: ‘Eu estava passando mal e fui tomar banho por dois motivos: para abaixar minha pressão… e eu precisava colocar uma roupa, porque eu sabia que ia vir pra delegacia’.
Geraldo, agora acusado de feminicídio, descreveu a situação como ‘a mais estressante de toda sua vida’. A soldado Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, São Paulo, em 18 de fevereiro. Inicialmente considerada um suicídio, a investigação evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.
O tenente-coronel está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março e foi indiciado pela Polícia Civil. A mudança na investigação ocorreu após análises periciais e depoimentos que afastaram a hipótese de suicídio, revelando contradições nas declarações de Geraldo e indícios de manipulação da cena do crime.
O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido. Lesões no rosto e no pescoço de Gisele, incluindo marcas de dedos e arranhões, indicam que ela foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas na região dos olhos também sugerem agressões anteriores ou simultâneas ao disparo.

