O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto chorou ao relatar os gastos com sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta no Brás, São Paulo, em fevereiro. As imagens das câmeras corporais dos policiais mostram o oficial afirmando que Gisele era uma “menina do bem, honesta, trabalhadora e digna”.
Durante a conversa com os agentes, Geraldo revelou que havia decidido se separar na manhã do dia 18 de fevereiro e já havia comunicado a Gisele. Ele mencionou que o relacionamento estava desgastado e que eles dormiam em quartos separados há meses. O tenente-coronel detalhou os custos que arcava com a relação, incluindo aluguel, contas de água, luz, gás e mercado, afirmando que a situação “não estava compensando emocionalmente e financeiramente”.
Geraldo também recordou momentos em que conversaram e choraram juntos na noite anterior à morte de Gisele. Ele afirmou que, apesar do amor, a separação era a melhor opção. Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça e uma arma em punho. O oficial declarou que a esposa teria tirado a própria vida.
O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) indicou que Gisele morreu devido a traumatismo crânio-encefálico grave causado por disparo de arma de fogo. A perícia concluiu que o tiro foi dado de forma encostada, com o orifício de entrada na região frontoparietal direita. O laudo também apontou lesões no rosto e pescoço da policial.
O tenente-coronel foi preso na manhã do dia 18 de fevereiro, em sua residência em São José dos Campos, após a Polícia Civil solicitar a prisão preventiva. O inquérito que investiga a morte de Gisele foi concluído no dia 17 de março, resultando na representação à Justiça para a decretação da prisão preventiva do oficial pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
A Justiça Militar indicou que há indícios de modificações na cena do crime, possivelmente para ocultar o feminicídio. Na quinta-feira, 19 de março, a Justiça Comum expediu um novo mandado de prisão para o tenente-coronel, que passou por audiência de custódia e retornou ao presídio Romão Gomes.
A defesa do tenente-coronel afirmou que ele não se ocultou após saber dos pedidos de prisão e que está colaborando com as investigações. O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS declarou que irá contestar a divulgação de informações que possam violar a honra e a dignidade do oficial.

