O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio, evitou contato com os pais da esposa, Gisele Alves Santana, após a confirmação da morte dela. O depoimento foi obtido durante um interrogatório de quase duas horas com o delegado responsável pela investigação.
Durante o depoimento, Geraldo apresentou versões contraditórias e insistiu na tese de suicídio da esposa. Ele foi questionado sobre a ausência no Hospital das Clínicas, onde Gisele foi levada após a morte. O tenente-coronel afirmou que decidiu não procurar os pais dela, alegando que a orientação de psicólogas e de seu comandante o aconselhou a evitar qualquer contato.
““Por que a orientação das psicólogas e do meu comandante é que os familiares da Gisele estavam vindo pro Hospital das Clínicas e temia a atitude do pai e mãe dela em relação a mim se nos encontrássemos pessoalmente. Por que na cabeça deles, eu que teria matado a filha deles”, afirmou.”
O delegado insistiu na falta de iniciativa do oficial em ver a esposa após a morte, mas Geraldo reforçou que preferiu se manter afastado. Ele também relatou que ficou em um espaço separado dos familiares na delegacia para evitar qualquer encontro.
““Pra não acontecer da gente se encontrar. Eu não me encontrar com os pais dela eu fiquei aqui em cima e eles lá embaixo (na delegacia)”, disse.”
Investigadores descreveram o comportamento do tenente-coronel como emocionalmente controlado, mas com falta de convicção em alguns momentos. As contradições e a postura adotada após a morte de Gisele são consideradas elementos relevantes na apuração da polícia. O tenente-coronel permanece preso.


