O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, preso por suspeita de matar a esposa Gisele Alves Santana, afirmou em interrogatório que o casal não dormia no mesmo quarto desde julho de 2025. O crime ocorreu no apartamento do casal no Brás, Centro de São Paulo.
Durante o interrogatório realizado no dia 18 de fevereiro, Geraldo relatou que a véspera da morte foi marcada por um longo período de isolamento, seguido de uma tentativa de reconciliação. Ele foi preso preventivamente na última quarta-feira (18) e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
Geraldo detalhou que, no dia 17 de fevereiro, ambos frequentaram a academia em horários distintos. Ele foi das 8h às 9h e Gisele das 9h às 10h. Ao retornar, Gisele trancou-se na suíte com a filha e permaneceu lá durante todo o dia. Ela pediu que Geraldo buscasse uma marmita na portaria, que ele entregou na porta do quarto.
O tenente-coronel afirmou que a rotina de silêncio foi interrompida por volta das 18h30, quando sugeriu que tomassem um café. Eles conversaram por aproximadamente duas horas sobre o relacionamento, relembrando momentos juntos e chorando. Segundo Geraldo, após a conversa, tiveram relações sexuais, que ele descreveu como “fazer amor pela última vez”.
Apesar da proximidade, Gisele disse que preferia “pensar direitinho” e não queria decidir sobre a separação naquele momento. A decisão sobre o futuro do casal seria tomada no dia seguinte, 18 de fevereiro. Geraldo afirmou que foi para o quarto orar, enquanto Gisele foi para o dela.
O Ministério Público informou que laudos periciais e mensagens analisadas indicam que Geraldo atirou contra Gisele, descartando a hipótese de suicídio. Ele teria manipulado a cena do crime para simular que a soldado teria tirado a própria vida, o que fundamenta a acusação de fraude processual.
O caso é o primeiro de um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio desde 2015. O Tribunal de Justiça Militar confirmou que a prisão foi justificada pelo fato de o crime ter sido cometido contra um membro da corporação. O Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Geraldo.
Durante audiência de custódia, Geraldo reiterou que Gisele cometeu suicídio. A defesa do tenente-coronel afirmou que ele colaborou com as investigações e que as informações divulgadas sobre sua vida privada têm causado repercussões negativas.


