O Tesouro Nacional realizou uma recompra de quase R$ 50 bilhões em títulos públicos no dia 27 de março de 2026, em resposta à volatilidade recente dos mercados. A medida visa conter a pressão sobre os juros futuros em um ambiente de incerteza, impactado pela guerra no Oriente Médio, que afeta o petróleo, o câmbio e as expectativas de inflação.
As taxas de longo prazo passaram a subir com mais intensidade, refletindo o aumento do risco percebido pelos investidores. O Tesouro, responsável pela emissão desses papéis, costuma realizar leilões frequentes para financiar a dívida pública e administrar seu caixa. Contudo, em momentos de maior instabilidade, a atuação do Tesouro muda de direção.
““Quando todo mundo quer vender, o Tesouro não pode ser mais um competidor. Ele para de ofertar e passa a recomprar títulos para reduzir à volatilidade e dar estabilidade à curva de juros”, explica Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro.”
A recompra de títulos prefixados totalizou R$ 9,05 bilhões. Ao recomprar esses papéis, o governo aumenta a demanda, o que eleva os preços e ajuda a aliviar as taxas. Após o anúncio da medida, os juros chegaram a recuar, mas voltaram a subir devido à continuidade das tensões externas.
““O Tesouro é o grande vendedor estrutural. Em momentos de aversão ao risco, quando os investidores também querem vender, ele entra como comprador para dar liquidez e acalmar o mercado”, acrescenta Marilia Fontes.”
Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, explica que o mecanismo é semelhante à recompra de ações feita por empresas em períodos de turbulência.
““Assim como empresas recompram ações, o Tesouro pode atuar com os títulos públicos para reduzir a volatilidade, embora com objetivos diferentes”, diz.”
Para o investidor, o impacto aparece nas oscilações de preço dos títulos, especialmente os prefixados e atrelados à inflação.
““A recompra ajuda a estabilizar o mercado em um momento de alta, o que traz mais previsibilidade no curto prazo”, afirma Marilia Fontes.”
Apesar disso, há limites para esse tipo de atuação. O Tesouro mantém um colchão de liquidez para honrar vencimentos da dívida, e o uso recorrente de recompras pode reduzir esse espaço. Outros países também enfrentam volatilidade em seus títulos públicos.
““Há um movimento global, com investidores mais cautelosos diante do aumento da incerteza e a perda de confiança dos investidores por títulos públicos americanos”, complementa Pascowitch.”
A atuação do Tesouro Nacional nesses momentos é considerada parte do funcionamento normal do mercado.
““É natural que haja intervenção para garantir o funcionamento do mercado. A taxa de longo prazo é base para toda a economia, então precisa de estabilidade”, finaliza Marilia Fontes.”


