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Tratamento das vítimas do acidente com Césio-137 em Goiânia

Amanda Rocha
Última atualização: 29 de março de 2026 04:01
Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O acidente com o Césio-137, ocorrido em 1987 em Goiânia, resultou em uma grande operação para conter a contaminação e tratar milhares de pessoas expostas à radiação.

Logo após a identificação do material radioativo, as vítimas foram levadas para hospitais e colocadas em isolamento, evitando o contato com outras pessoas. Os casos mais graves foram encaminhados para unidades especializadas no Rio de Janeiro, onde receberam tratamento intensivo.

Em Goiânia, o Estádio Olímpico foi transformado em um grande centro de triagem e descontaminação. Mais de 112 mil pessoas passaram pelo local para avaliação. Dessas, 249 apresentaram algum nível de contaminação e 129 precisaram de acompanhamento médico permanente.

As pessoas eram separadas conforme o nível de radiação. Algumas eram liberadas, outras encaminhadas para observação, e os casos mais graves recebiam atendimento imediato. Durante o processo de descontaminação, as vítimas tiveram roupas e objetos descartados e passaram por lavagens intensas, com água, sabão e escovação.

““Dentro dos vestiários, as pessoas eram lavadas como se lava um carro. Usavam vassouras, muita água, sabão e esfregavam. Usavam uma mangueira com um jato bem forte. Fui lavado como uma Kombi”, contou Odesson Alves Ferreira, um dos sobreviventes.”

Antes mesmo de entender a gravidade da situação, muitos trabalhadores atuaram diretamente nas áreas contaminadas. O motorista Cirilo Aquino Batista relembra que a falta de informação era total no início da operação:

““A gente não sabia que estava mexendo com uma coisa perigosa”.”

Os relatos evidenciam que, além do impacto físico da radiação, o próprio processo de resposta ao acidente deixou marcas profundas nas vítimas e nos trabalhadores envolvidos.

Apesar dos esforços, o acidente deixou quatro vítimas fatais diretas. A primeira delas foi Leide das Neves Ferreira, de apenas 6 anos, considerada o símbolo do acidente. Ela teve contato direto com o pó brilhante e chegou a ingerir partículas da substância, o que agravou rapidamente seu estado de saúde. Ela morreu no dia 23 de outubro de 1987, após dias de intenso sofrimento causado pela radiação.

Maria Gabriela Ferreira, de 37 anos, também faleceu no mesmo dia. Ela foi uma das primeiras a desconfiar da contaminação e levou a cápsula à Vigilância Sanitária, ajudando a revelar o acidente, mas acabou sendo contaminada e não resistiu.

Outras duas vítimas fatais foram jovens trabalhadores que tiveram contato direto com o material no ferro-velho. Israel Batista dos Santos, de 20 anos, participou da manipulação da cápsula e morreu no dia 27 de outubro. Admilson Alves de Souza, de 18 anos, também exposto diretamente à substância, morreu no dia seguinte, em 28 de outubro.

As mortes ocorreram semanas após a exposição e foram causadas pela Síndrome Aguda da Radiação, uma condição grave provocada por altas doses de radiação no organismo.

Além das vítimas fatais, milhares de pessoas foram afetadas pelo acidente: mais de 112 mil foram monitoradas, 249 tiveram contaminação confirmada e 129 passaram a necessitar de acompanhamento médico permanente. Até hoje, mais de mil pessoas ainda recebem atendimento no Centro de Assistência aos Radioacidentados.

O acidente também gerou mais de 6 mil toneladas de rejeitos radioativos, que foram levados para depósitos na cidade de Abadia de Goiás, onde permanecem sob monitoramento. Especialistas apontam que esses resíduos ainda podem oferecer risco por até 200 anos.

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