Pesquisadores estão investigando a relação entre o ciclo menstrual e o desempenho esportivo, à medida que a prescrição de treinos adaptados ganha popularidade nas redes sociais.
A hashtag #cyclesyncing no TikTok já acumula mais de 280 milhões de visualizações, especialmente entre jovens. Apesar das variações nos efeitos do ciclo menstrual, crescem as evidências de que as oscilações hormonais influenciam a performance física e emocional das mulheres.
Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine analisou dados que mostram que 43% dos estudos indicam que as mulheres sentem algum impacto ao se exercitar durante o ciclo. Durante a ovulação, a resistência melhora devido ao aumento do hormônio estrogênio, enquanto na fase lútea, a progesterona pode aumentar a sensação de sobrecarga.
““Na fase menstrual, a mulher tem uma baixa de estrogênio e progesterona, o que interfere de forma significativa na disposição”, diz o educador físico Diego Leite de Barros.”
Uma pesquisa da Universidade de Oregon revelou que as flutuações hormonais não afetam diretamente a capacidade de realizar exercícios intensos, mas alteram a percepção de fadiga. “A quantidade de esforço que uma mulher aguenta ao longo do ciclo parece ser a mesma, mas não o modo como se sente em relação a isso”, afirma a pesquisadora Mira Schoeberlein.
Em atletas profissionais, um estudo na Espanha e no Reino Unido com 33 jogadoras de futebol constatou que a incidência de lesões era três vezes maior durante a fase de sangramento. As lesões também eram mais graves e com recuperação mais lenta.
A endocrinologista Andréa Fioretti ressalta que, apesar das flutuações hormonais, não há uma diretriz formal para orientar as mulheres em suas rotinas de exercícios. “Existem, sim, flutuações hormonais, mas não há uma proposta uniformizada de resposta a elas”, afirma.
A recomendação é que cada mulher conheça seus limites e respeite os ritmos do corpo, optando por atividades que se adequem ao seu estado físico em diferentes fases do ciclo.

