Um tribunal da Califórnia condenou, pela primeira vez no mundo, a Meta e o YouTube por danos à saúde mental. A decisão ocorreu em 27 de março de 2026, após uma ação movida por Kaley, uma jovem de 20 anos que começou a usar redes sociais aos 6 anos.
Kaley argumentou que o uso constante das plataformas impactou seu desenvolvimento, resultando em depressão, dismorfia corporal e pensamentos suicidas. O júri aceitou a tese de que as plataformas foram projetadas para viciar, semelhante a cigarros ou jogos de azar, após uma semana de deliberação.
O valor da penalidade foi fixado em cerca de 6 milhões de dólares, considerado irrisório em comparação aos lucros bilionários das empresas. O advogado de Kaley ironizou que esse valor é equivalente a um ou dois M&Ms para as gigantes da tecnologia.
Os jurados decidiram que as companhias agiram com “malícia, opressão e fraude”, focando não no conteúdo, mas no design das plataformas que incentivam o uso excessivo. O caso destaca o poder das redes sociais em causar dependência e os efeitos adversos sobre jovens.
Documentos internos das plataformas revelaram que as empresas estavam cientes dos efeitos negativos de seus produtos, mas priorizavam métricas de engajamento em detrimento da segurança dos usuários. Essa decisão abre espaço para outros casos semelhantes, com a possibilidade de responsabilização das plataformas por danos pessoais.
Na mesma semana, um júri no Novo México condenou a Meta a pagar 375 milhões de dólares por violar leis sobre exploração infantil. Apesar da vitória de Kaley, a defesa da Meta apontou outros fatores, como dificuldades familiares e escolares, como causas do sofrimento da jovem.
A decisão do júri na Califórnia sugere que o design das plataformas importa e que práticas como o “scroll infinito” e recomendações algorítmicas não são neutras. Essa lógica começa a ser reconhecida no sistema legal, refletindo uma crescente inquietação global sobre o impacto das redes sociais na saúde mental, especialmente entre adolescentes.
O contexto mundial mostra uma tentativa de recalibrar o equilíbrio em relação ao uso de redes sociais. Países como Austrália, Espanha, Dinamarca e Malásia discutem medidas para proteger os jovens. A disputa legal deve continuar, com as empresas sinalizando que vão recorrer, e especialistas preveem anos até que uma jurisprudência mais estável se consolide.


