Os preços do trigo, cacau e algodão apresentaram alta nas bolsas nesta sexta-feira, 27 de março de 2026. As condições de seca em parte da região produtora de trigo dos Estados Unidos e a expectativa de um possível anúncio de metas revisadas de biocombustíveis impulsionaram os preços do cereal na abertura da bolsa de Chicago.
Os contratos do trigo subiram 0,07%, cotados a US$ 6,0545 por bushel. No entanto, essa alta foi limitada por um dólar mais forte e uma oferta global abundante de grãos. Os preços de grãos e oleaginosas têm acompanhado as flutuações do petróleo, refletindo a utilização de milho e óleo de soja na produção de biocombustíveis, além dos impactos indiretos na agricultura devido ao aumento dos custos de energia e fertilizantes.
Os contratos de milho caíram 0,49%, a US$ 4,6469 por bushel, enquanto a soja recuou 0,81%, a US$ 11,6425 por bushel. O mercado também ajusta posições antes da divulgação, na terça-feira, 31 de março, das estimativas de área plantada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). Analistas indicam que o aumento dos custos agrícolas decorrente da guerra no Oriente Médio pode influenciar produtores a mudar parte da área plantada de milho para soja, embora pesquisas recentes do USDA possam não refletir totalmente os efeitos do conflito.
A seca nas Planícies do sul dos EUA, intensificada pelo calor desta semana, aumenta o risco de estresse nas lavouras antes de chuvas previstas para a próxima semana. Em Nova York, os contratos futuros de cacau subiram 0,1%, para US$ 3.168 por tonelada, próximos do nível mais baixo desde maio de 2023. O mercado é pressionado pelas expectativas de uma safra recorde na África Ocidental e pelo aumento dos estoques.
Relatórios da Costa do Marfim e de Gana indicam que as chuvas frequentes nas regiões produtoras têm favorecido a formação das vagens, reforçando a perspectiva de oferta confortável no curto e médio prazo. Nos portos dos EUA, os estoques certificados monitorados pela ICE alcançaram 2.335.682 sacas até 23 de março, equivalente a 7,5 meses de consumo.
O café arábica caiu 1,11%, cotado a US$ 3,0425 por libra-peso, após atingir nesta semana o nível mais alto desde fevereiro, diante de sinais de aperto na oferta de curto prazo no Brasil, maior produtor, e riscos externos persistentes. Produtores seguem retendo vendas na expectativa de preços mais altos, segundo a Trading Economics.
Entre outros produtos, o algodão avançou 0,59%, a 68,81 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar recuou 1,15%, para 15,69 centavos de dólar por libra-peso.

