O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (21) que o Irã tinha 48 horas para abrir o Estreito de Ormuz e liberar a economia global, ou enfrentaria um ataque à sua maior central elétrica. No entanto, na manhã de segunda-feira (23), Trump afirmou que esperaria mais cinco dias, citando melhorias nas negociações com Teerã.
O Irã, por sua vez, negou qualquer diálogo com Washington. As declarações contraditórias de Trump levantam dúvidas sobre suas verdadeiras intenções, especialmente em um momento de tensão e guerra. Especialistas sugerem que o presidente pode temer que um ataque à infraestrutura energética do Irã agrave o conflito e impacte a economia global.
Críticos de Trump caracterizaram essa mudança como mais um exemplo do que chamam de TACO, um acrônimo para “Trump Always Chickens Out” (Trump sempre recua). A decisão de adiar o ultimato coincide com a abertura dos mercados financeiros, que estavam previstos para um dia difícil devido às ameaças do presidente, mas que acabou se mostrando positivo.
Trump já demonstrou um padrão de fazer anúncios que parecem estar ligados à movimentação dos mercados. Um exemplo notável foi em 2 de abril de 2025, quando ele anunciou tarifas globais após o fechamento dos mercados, o que levou a uma reação significativa nas ações.
Além disso, em várias ocasiões, Trump fez anúncios que impactaram o mercado logo após o fechamento ou antes da abertura, como no caso das tarifas sobre a China e a suspensão de ataques ao Irã. Essas ações levantam a questão sobre a estratégia de comunicação de Trump e sua relação com o desempenho do mercado financeiro.
O adiamento do ultimato ao Irã pode ter evitado um dia brutal nos mercados, mas também levanta questões sobre a credibilidade das declarações de Trump, especialmente considerando que ele mesmo alertou que Teerã não é confiável. A expectativa agora é saber como o Irã reagirá a esse novo prazo e se haverá um avanço nas negociações.


