O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a conselheiros que algumas políticas de imigração foram “longe demais” e que a abordagem do governo precisa ser alterada. A informação foi divulgada pelo jornal americano The Wall Street Journal na quinta-feira, 19 de março de 2026.
Trump percebeu que suas ações não foram bem recebidas, inclusive por seus próprios eleitores. Ele reconheceu que o conceito de “deportação em massa”, frequentemente mencionado em seus discursos, não agradou ao público. O presidente está considerando focar na prisão de criminosos, evitando grandes operações que costumam causar tumulto em capitais americanas.
A proposta de mudança foi apresentada pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, que é uma das poucas figuras no segundo mandato de Trump capaz de orientá-lo. Wiles acredita que o tema da imigração, um dos pilares do governo, se tornou um problema para as midterms, as eleições intermediárias que ocorrerão em novembro e que colocarão o controle do Congresso em disputa.
Atualmente, o Partido Republicano controla ambas as casas legislativas. A nova estratégia é liderada por Tom Homan, o “czar da fronteira”, que supervisiona a política de imigração no país. Homan defende que a prioridade deve ser a prisão de imigrantes com antecedentes criminais, embora operações do ICE, a polícia de imigração, tenham se expandido para incluir qualquer pessoa que pareça um estrangeiro, mesmo aqueles com documentação regular.
A mudança na abordagem de Trump ocorreu após episódios violentos recentes que resultaram na morte de dois cidadãos americanos durante operações do ICE em Minneapolis, no estado de Minnesota. Segundo o WSJ, o governo suspendeu temporariamente grandes operações da polícia migratória em cidades governadas por políticos democratas, como Minneapolis, Washington e Chicago.
Essas cidades se tornaram alvos frequentes na política de deportação em massa de Trump, devido à sua administração por opositores políticos. Desde a adoção dessas medidas, o número de imigrantes presos diariamente caiu de 1.500 para 1.200, conforme reportado pelo jornal.
No entanto, membros do governo afirmam que a estratégia não mudou. “A maior prioridade sempre foi deportar imigrantes ilegais criminosos”, declarou a secretária de imprensa adjunta da Casa Branca, Abigail Jackson, ao WSJ.

