O Dia D da vacinação contra a gripe ocorreu neste sábado (28), marcando o início da Campanha Nacional de Imunização contra a Influenza em grande parte do Brasil.
Renato Kfouri, pediatra infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, afirmou que a antecipação da vacinação é fundamental para proteger a população durante o período de maior circulação do vírus.
““A gripe é uma doença que afeta anualmente cerca de 15 a 20% de todos nós, da população”,”
explicou Kfouri. Ele destacou que o vírus sofre mutações todos os anos, o que impede que o organismo reconheça novas variantes, mesmo que a pessoa já tenha sido infectada anteriormente. Por isso, a atualização anual da vacina é necessária.
A importância da vacinação no início do ano está relacionada ao padrão sazonal da doença. Kfouri observou que “três quartos dos casos de gripe acontecem no inverno, a partir de final de abril até julho, aqui no sudeste”. Na região norte, essa sazonalidade começa um pouco antes.
Ao se vacinar em março ou abril, a população estará protegida quando chegar o período de maior circulação viral.
Embora a gripe possa afetar qualquer pessoa, certos grupos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença. Kfouri afirmou que “gripe não poupa ninguém”, mas ressaltou que crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas têm maior probabilidade de desenvolver complicações graves.
““Cerca de 80% dos óbitos por gripe acontecem em pessoas pertencentes a esses grupos”,”
explicou. Ele destacou que esses grupos são chamados prioritários e são os primeiros a serem convocados para a vacinação.
A vacina contra a gripe é atualizada anualmente para incluir as cepas que provavelmente circularão na próxima temporada. Kfouri explicou que os cientistas conseguem prever com boa precisão quais variantes do vírus estarão em circulação no inverno seguinte, geralmente incluindo três cepas principais: H1N1, H3N2 e um vírus do tipo B.
O especialista também abordou um mito comum sobre a vacinação contra a gripe: o de que a vacina causa a doença. Kfouri esclareceu que “a vacina é incapaz de causar doença respiratória ou sintomas respiratórios em ninguém”, pois é feita com fragmentos do vírus morto.
““O que há muitas vezes é que as pessoas se vacinam em maio, junho ou julho, em plena temporada de inverno, iriam adoecer de qualquer maneira e culpam equivocadamente a vacinação por esses sintomas”,”
afirmou. As reações mais comuns à vacina são dor no local da aplicação, febre leve e mal-estar, que geralmente duram no máximo 48 horas e afetam cerca de 30% dos vacinados.
Kfouri reforçou que a prevenção da gripe através da vacinação é muito mais efetiva do que lidar com a doença, que pode levar a complicações graves como infarto, AVC e trombose, além de sobrecarregar o sistema de saúde e causar absenteísmo no trabalho.


