O Vaticano anunciou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, que os católicos podem receber transplantes de tecidos de animais para tratar condições médicas. A declaração ocorre em meio ao avanço dos procedimentos envolvendo órgãos de porcos ou vacas geneticamente modificados.
Em um documento de 88 páginas, o Vaticano fornece diretrizes éticas para esses transplantes e reafirma um ensinamento anterior, afirmando que a Igreja não se opõe a esses tratamentos, desde que sejam seguidas as melhores práticas médicas e que não haja crueldade contra os animais.
““A teologia católica não tem preclusões, em uma base religiosa ou ritual, no uso de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos”,”
destaca o documento. O texto também aborda o xenotransplante, que é o transplante de órgãos ou tecidos de uma espécie para outra. O Vaticano já havia autorizado esses procedimentos em 2001, quando estavam em estágios iniciais de desenvolvimento.
Os transplantes de órgãos de animais para uso humano ainda são raros. O primeiro transplante de rim de porco para humano foi realizado nos Estados Unidos em 2024. O documento, elaborado com a colaboração de médicos da Itália, dos Estados Unidos e da Holanda, pede que os cientistas realizem esses transplantes de maneira “intencional, proporcional e sustentável”.
Além disso, o relatório solicita que os médicos informem os pacientes sobre os riscos associados aos transplantes de órgãos de animais, incluindo a possibilidade de rejeição pelo sistema imunológico e o risco de infecções por microrganismos.

