Após 30 anos do acidente com césio-137, vítimas em Goiânia relatam dificuldades com a falta de apoio médico. O incidente, ocorrido em 1987, é considerado o maior acidente radiológico da história do Brasil.
De acordo com dados oficiais do governo, quatro pessoas morreram diretamente devido ao acidente. Mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), criado em 2011 para apoiar a população afetada.
O acidente ganhou nova atenção após o lançamento da minissérie ‘Emergência Radioativa’ na Netflix, que retrata a contaminação e os esforços para conter a tragédia.
Entre as vítimas fatais estão Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que morreu em 23 de outubro de 1987, e Maria Gabriela Ferreira, de 37 anos, que faleceu na mesma data. Ambas foram afetadas pela Síndrome Aguda da Radiação (SAR).
Outras vítimas incluem Israel Batista dos Santos, de 20 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18 anos, que também faleceram devido ao acidente. O pai de Leide, Ivo Alves Ferreira, morreu 15 anos depois por enfisema pulmonar, e Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho onde o césio foi encontrado, faleceu sete anos após o acidente.
O acidente resultou em 6 mil toneladas de rejeitos radioativos, armazenados em depósitos em Abadia de Goiás. O Centro de Assistência aos Radioacidentados continua monitorando a saúde das vítimas e seus descendentes.
Recentemente, o governo de Goiás apresentou um projeto para atualizar os valores das pensões pagas aos beneficiários que atuaram na descontaminação e no atendimento às vítimas. O benefício para radiolesionados que tiveram contato direto com o césio-137 será reajustado de R$ 1.908,00 para R$ 3.242,00.
O acidente teve início em 13 de setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia foi retirado de um local abandonado. Após a manipulação do material, sintomas imediatos como náuseas e vômitos foram relatados, levando à identificação oficial do acidente em 29 de setembro.

