O jornalista William Waack analisou os desdobramentos do conflito entre os Estados Unidos e o Irã durante o programa Fora da Ordem. Ele apresentou dois cenários possíveis: um ruim e um péssimo, destacando que o cenário mais provável é o péssimo.
Waack afirmou que o conflito atual serve como uma “aula excepcional dos básicos em estratégia, em relações internacionais e em geopolítica”. Ele ressaltou a importância de considerar a geografia não apenas como representação cartográfica, mas como um conjunto de peculiaridades históricas que moldam as tensões regionais.
Um ponto central da análise de Waack é que, enquanto o mundo observa o estreito de Ormuz, ignora o que ele considera o verdadeiro ponto crítico para o equilíbrio global: o estreito de Taiwan. “O estreito mais importante para a humanidade, para todos nós hoje, é o estreito de Taiwan”, alertou. Ele explicou que um conflito nessa região teria consequências econômicas muito mais devastadoras do que as do conflito no Oriente Médio.
Waack destacou que, se as consequências econômicas do fechamento de Ormuz são severas, as de um conflito em torno do estreito de Taiwan seriam ainda mais graves, afetando a produção de semicondutores essenciais para diversos setores.
Sobre a posição de Israel, Waack afirmou que os objetivos de curto prazo do país estão claros: “Devastar, degradar, destruir o que é entendido como um adversário existencial, o Irã”. No entanto, ele apontou uma falha estratégica crucial, que é a falta de uma visão de longo prazo.
De acordo com Waack, o verdadeiro problema existencial para Israel não é o Irã, mas a perda do apoio americano. “A longo prazo, Israel não pode se dar um luxo jamais de perder o apoio dos Estados Unidos, que é exatamente o que está acontecendo”, afirmou.
Ele lembrou que Israel, com seus 10 milhões de habitantes, está cercado por grandes sociedades de massa que são inimigas. Tanto Israel quanto os Estados Unidos, segundo Waack, estão cometendo erros estratégicos ao focar em questões de curto prazo, arriscando suas posições fundamentais para segurança e influência global no longo prazo.


