Na tarde da última segunda-feira (6), três adolescentes morreram após uma descarga elétrica em um igarapé no Ramal do Manã, zona rural de Cruzeiro do Sul, Acre. Miquéias Oliveira da Silva, de 13 anos, Uallen Souza Rodrigues, de 14, e Osanir Gomes da Silva, de 15, estavam tomando banho após a aula de educação física.
Segundo relatos familiares, Miquéias foi o primeiro a ser atingido. Uallen e Osanir tentaram socorrê-lo, mas acabaram recebendo a descarga elétrica também. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas Miquéias e Uallen já estavam mortos quando as equipes chegaram. Osanir foi socorrido, mas não resistiu e entrou em parada cardiorrespiratória dentro da ambulância.
O acesso à região dificultou o resgate. Inicialmente, o Samu recebeu a informação de uma única vítima, mas durante o deslocamento, o chamado foi atualizado para três adolescentes. Moradores da área ajudaram a levar os jovens até um ponto de acesso na estrada. A primeira assistência foi prestada por uma equipe da comunidade Santa Luzia, seguida por uma unidade avançada. Os profissionais tentaram manobras de reanimação, mas não obtiveram sucesso.
Familiares acreditam que a descarga elétrica foi provocada por um poraquê, um peixe-elétrico comum na região. Osamir Braga da Silva, pai de Osanir, afirmou que não há fiação elétrica no local e que o igarapé é conhecido pela presença do animal, especialmente em períodos em que ele se aproxima de áreas mais rasas. Ele destacou que os jovens sabiam nadar e costumavam frequentar o local, não considerando a hipótese de afogamento acidental.
““A gente conhece o lugar. Não tem fio dentro do igarapé. A fiação passa longe, é alta. Também não foi afogamento, porque eles sabiam nadar, brincavam ali. Na região tem muito poraquê, principalmente nessa época do ano quando eles sobem para áreas mais rasas”, disse Osamir.”
Apesar do relato da família, o diretor do Samu, Caio Magalhães, afirmou que ainda não é possível confirmar a origem da descarga elétrica. Ele explicou que, embora os familiares mencionem o peixe-elétrico, a equipe não acredita nessa hipótese a menos que os adolescentes estivessem em contato direto. Outra possibilidade levantada é que a água tenha entrado em contato com alguma fonte elétrica externa.
O poraquê (Electrophorus electricus) é um peixe capaz de emitir descargas de até 860 volts. Segundo o biólogo Lisandro Juno Soares Vieira, o animal possui células chamadas eletrócitos, responsáveis pela descarga elétrica, que é utilizada principalmente como defesa e para capturar presas. O especialista ressaltou que o peixe não ataca seres humanos intencionalmente.

