A advogada Fabiani Marques Zouki, acusada de racismo contra um funcionário do Burger King em São Paulo, firmou um acordo com o Ministério Público (MP) em fevereiro de 2026, no qual admite o crime. Ela se comprometeu a pagar R$ 8.105 a Pablo Ramon da Silva Ferreira, supervisor da lanchonete em Moema, como reparação pelas ofensas racistas.
O incidente ocorreu em 25 de julho de 2024, no drive-thru da lanchonete, onde Fabiani foi presa em flagrante pela Polícia Militar por injúria racial e embriaguez ao volante. Testemunhas relataram que a confusão começou após a advogada reclamar da demora no atendimento e, durante a discussão, ela ofendeu Pablo, chamando-o de “macaco sujo”.
Parte da confusão foi gravada e as imagens viralizaram nas redes sociais. Em um vídeo, Fabiani afirmou: “Falou que eu chamei de ‘preto’, de ‘macaco’… viajou na maionese. E daí, se eu tivesse chamado? Isso não é justificativa para quebrar meu carro. Não é”.
O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), homologado pela Justiça em 13 de fevereiro de 2026, permite que a advogada evite um processo criminal, desde que cumpra as condições estabelecidas. Entre as obrigações, estão a participação em cursos sobre racismo, doação de livros com temática antirracista e prestação de 300 horas de serviços comunitários.
Fabiani também terá a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por seis meses, devido à embriaguez ao volante. O acordo inclui a doação de livros que totalizam cerca de R$ 8 mil, incluindo obras como “Na Minha Pele”, do ator e escritor Lázaro Ramos.
O promotor Danilo Keiti Goto comentou: “Almejamos que a autora repare a vítima monetariamente e, igualmente, repense sua conduta”. Caso Fabiani não cumpra as condições do acordo, o MP poderá apresentar denúncia, iniciando uma ação penal por racismo e embriaguez ao volante.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB-SP) informou que Fabiani não pode exercer a advocacia atualmente, pois sua inscrição está cancelada desde setembro de 2021, a pedido da própria profissional.


