A advogada iraniana e ativista dos direitos humanos Nasrin Sotoudeh foi detida na noite de quarta-feira, 1º de abril de 2026, em sua casa no Irã. A informação foi divulgada por sua filha, Mehraveh Khandan, nas redes sociais.
“Ontem à noite (quarta-feira) prenderam mamãe quando ela estava sozinha em casa”, escreveu Mehraveh no Instagram. Ela também relatou que, ao comparecer à residência, a família constatou a apreensão de dispositivos eletrônicos, incluindo laptops e telefones dos pais. Não está claro qual órgão de segurança foi responsável pela detenção.
Nasrin Sotoudeh é reconhecida internacionalmente e já recebeu prêmios como o Sakharov, do Parlamento Europeu, em 2012, e o Right Livelihood Award, em 2020. A ativista já foi detida diversas vezes por sua atuação em defesa de pessoas condenadas por crimes cometidos na infância, especialmente em casos que envolvem risco de execução.
O marido de Sotoudeh, Reza Khandan, também ativista de direitos humanos, está preso desde dezembro de 2024. A prisão de Sotoudeh ocorre em um momento em que diversas organizações internacionais alertam para o aumento da repressão no Irã, que está sendo “ofuscada” pela guerra no Oriente Médio.
A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, informou ter registrado ao menos 2 mil detenções, com base em relatos da imprensa oficial, incluindo 38 casos envolvendo defensores de direitos humanos e ativistas. A entidade advertiu sobre o risco de prisões em massa no contexto da guerra. “Estamos preocupados que essas execuções e violações dos direitos humanos sejam ofuscadas pela guerra”, afirmou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da ONG.
A ativista Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, também está detida desde dezembro, após participar de um protesto contra as autoridades clericais do Irã durante um funeral. Seus apoiadores afirmam que seu estado de saúde é grave e que sua vida está em risco.


