A advogada Áricka Rosalia Alves Cunha foi presa na quarta-feira (15) em Cocalzinho de Goiás após reclamar nas redes sociais sobre o arquivamento de um boletim de ocorrência (BO) que havia registrado. Ela afirmou que não difamou o delegado Christian Zilmon, responsável pela prisão.
De acordo com o delegado, a advogada foi autuada por desacato. A prisão ocorreu após Áricka publicar que o BO havia sido arquivado devido à falta de efetivo policial. Em suas declarações, ela destacou que não mencionou o nome do delegado em suas postagens.
“”O delegado se sentiu ofendido por esse post no Instagram, no qual eu demonstro que foi arquivado. Eu não mencionei ele, eu não falei mal da pessoa dele. Eu simplesmente divulguei o ocorrido, o despacho de que foi arquivado”, explicou à TV Anhanguera.”
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) formalizou representações por abuso de autoridade junto ao Ministério Público e comunicou o caso à Corregedoria-Geral da Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública. A União Nacional das Advogadas Criminalistas e Acadêmicas de Direito (UNAA) também solicitou a apuração do caso.
A Polícia Civil informou que o caso chegou à Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO e que todas as providências necessárias estão sendo tomadas. Um mês antes de sua prisão, Áricka havia recolhido assinaturas de moradores para solicitar serviços de “tapa buraco” em Cocalzinho de Goiás, e foi ofendida nas redes sociais por um comentário.
Após o arquivamento do BO, a advogada pediu o desarquivamento e divulgou o pedido nas redes sociais, o que levou o delegado a ir ao seu escritório para prendê-la. Durante a prisão, o delegado afirmou que ela desobedeceu a uma ordem e precisou ser algemada.
“”Depois ela, descontrolada, não queria obedecer à ordem. Também, desobediência. E aí teve que ser algemada. Então, é uma situação chata porque é moradora do município, mas a gente tem que cumprir a lei. Ninguém está acima da lei. Nem eu, nem ela”, disse o delegado.”
Áricka também criticou o delegado por deixá-la e representantes da OAB esperando enquanto ele jantava. Ela afirmou que precisou esperar cerca de seis horas até pagar a fiança de R$ 10 mil e ser liberada.
“”Exigiram que o pagamento fosse feito em espécie, o que dificultou a minha liberação porque 18h estava tudo fechado. Meu esposo teve que sair pegando dinheiro com a população, um pouquinho com cada pessoa”, contou.”
A OAB-GO declarou que a advogada teve seu escritório invadido e foi presa em flagrante, com uso de algemas, após a divulgação de conteúdo em redes sociais relacionado ao exercício da advocacia. A entidade afirmou que está adotando medidas para garantir as prerrogativas da advogada.


