Os agentes do Metrô de São Paulo desempenham um papel crucial na prevenção de crimes como importunação sexual e agressões físicas, especialmente durante os horários de pico. A operação é realizada por agentes à paisana que circulam entre os passageiros, monitorando comportamentos suspeitos e acionando equipes uniformizadas ou a polícia quando necessário.
Esses profissionais utilizam a discrição como estratégia. Um agente, que preferiu não se identificar, explicou: “Sem uniforme, você tem a visão do cidadão comum e o importunador não te percebe. Assim, conseguimos flagrar as ações.” As linhas mais movimentadas, como a Linha 3-Vermelha, são as que apresentam maior incidência de casos.
Os suspeitos costumam se aproximar das vítimas de forma gradual, aproveitando a lotação dos trens. Em um caso, agentes identificaram um homem que perseguia uma passageira. A equipe priorizou o contato com a vítima, procedimento padrão. Denis Lopes, operador de controle de segurança, afirmou: “Para a autoridade policial dar flagrante a gente precisa da vítima.” O suspeito, Davi Santos da Silva, foi detido em flagrante, mas liberado dois meses e meio depois, respondendo em liberdade.
Durante a abordagem, objetos perfurocortantes foram encontrados na mochila do suspeito, aumentando a gravidade da ocorrência. A vítima decidiu registrar o caso na delegacia, permitindo o encaminhamento do agressor à Justiça.
Em outro episódio, uma agressão física dentro de um trem mobilizou as equipes de segurança. Um passageiro foi atacado após um desentendimento com um pedinte. Mesmo com o agressor identificado, ele foi liberado porque a vítima optou por não formalizar a denúncia, o que impede o prosseguimento do caso. Riodo Lopes, agente de segurança do Metrô, explicou: “Sem representação, não tem como encaminhar à delegacia.”
Os agentes também orientam os passageiros sobre a importância de registrar ocorrências. Além de atuar em crimes, eles prestam apoio em situações de emergência, como mal súbito, oferecendo atendimento inicial e encaminhando os afetados a hospitais, se necessário.
A professora Stephanie Minematu, que já sofreu importunação sexual no metrô, reforçou a importância da denúncia: “Não dá para ficar calada, tem que falar.” A atuação conjunta de vigilância, agentes infiltrados e apoio às vítimas busca reduzir os casos, mas a prevenção depende da colaboração dos passageiros em denunciar qualquer tipo de abuso.


