O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta segunda-feira, 6, que os ataques dos Estados Unidos e Israel contra instalações nucleares do Irã representam um “risco real” de desastre radioativo e devem ser interrompidos. A declaração ocorreu após bombardeios registrados no último sábado, a 75 metros da usina de Bushehr, localizada às margens do Golfo Pérsico.
Grossi alertou que os ataques próximos à usina poderiam resultar em um grave acidente radiológico, com consequências prejudiciais para a população e o meio ambiente no Irã e em regiões adjacentes. Ele fez a afirmação em uma postagem na plataforma X, destacando que a AIEA analisou imagens de satélite e confirmou o impacto do ataque, que, felizmente, não causou danos à central.
““Nunca se deve atacar uma instalação nuclear, nem seus arredores”, afirmou Grossi.”
A usina de Bushehr, construída com a ajuda da Rússia, é o único reator nuclear em operação no Irã, conforme informações da AIEA. Após o ataque, a imprensa estatal russa reportou que 198 trabalhadores foram evacuados da usina, enquanto cerca de 100 funcionários russos permanecem no local. A mídia iraniana informou que um segurança foi morto e que um dos edifícios auxiliares da usina foi danificado pela onda de choque e estilhaços do impacto.
Em resposta aos ataques, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez uma advertência severa aos Estados Unidos e Israel. Ele declarou: “A chuva radioativa acabará com a vida nas capitais do Conselho de Cooperação do Golfo, não em Teerã”, referindo-se a países como Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que abrigam instalações americanas e sofreram ataques de retaliação desde o início do conflito.
A AIEA revelou que o Irã possui urânio enriquecido em até 60%, totalizando mais de 400 quilos do material, próximo do patamar de 90% considerado necessário para a produção de uma bomba nuclear. Apesar das autoridades iranianas negarem qualquer intenção de desenvolver um programa militar nuclear, afirmando que seu programa é voltado para fins civis e energéticos, a situação permanece tensa.
Além dos ataques a instalações nucleares, a imprensa americana noticiou que Washington considera enviar forças especiais ao Irã para apreender material nuclear. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, mencionou em audiência no Congresso que, em algum momento, “alguém terá que ir buscar” o estoque de urânio enriquecido.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã alegou que uma operação dos Estados Unidos para resgatar um piloto abatido poderia ser uma fachada para “roubar urânio enriquecido”. O piloto da Força Aérea americana passou cerca de 40 horas escondido em uma região montanhosa antes de ser recuperado no sábado, 4.
A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou desde a erosão do acordo de 2015, que impunha limites ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, o Irã aumentou seus níveis de enriquecimento e diminuiu a cooperação com inspetores internacionais. Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito.
De acordo com estimativas anteriores da AIEA, antes dos bombardeios de junho, o Irã possuía cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%. Grossi afirmou que cerca de 200 kg do material que sobreviveram aos ataques aéreos estão armazenados em túneis profundos próximos ao complexo nuclear de Isfahan, enquanto outra quantidade está em Natanz, onde o Irã construiu uma nova instalação fortificada e subterrânea.


