O estado de Alagoas registrou 104 casos de estupro de vulnerável nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Sinesp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A média é de duas vítimas por dia.
Os dados revelam que 55 casos ocorreram em janeiro e 49 em fevereiro. Entre as vítimas, 86 são do sexo feminino, 16 do sexo masculino e duas não tiveram o sexo informado. Comparado ao mesmo período de 2025, houve um aumento de 29 casos, representando um crescimento de 38,67%.
A advogada Sabrina Duarte, integrante da Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL), comentou sobre a gravidade dos números, especialmente por envolver crianças. Ela destacou:
““São pessoas em formação, e cabe a nós, como sociedade, principalmente à família, tentar proteger essas crianças. Mas, infelizmente, em regra, o abusador é parente ou amigo próximo da família, ou alguém em quem a criança confia. Isso dificulta a identificação.””
Sabrina também mencionou que mudanças drásticas no comportamento das vítimas podem indicar abusos.
““Às vezes, uma criança alegre e extrovertida, de repente, fica mais medrosa, mais quieta, passa a evitar alguns locais ou pessoas. É possível perceber que ela fica mais nervosa na presença de determinadas pessoas.””
Ela ressaltou a importância da denúncia para que as investigações sejam iniciadas.
““Se você fecha os olhos e não leva adiante essa possível denúncia, a criança pode passar anos sofrendo e, em casos extremos, vir a morrer em decorrência das lesões causadas pelos abusos.””
A advogada concluiu alertando sobre os riscos:
““Infelizmente, quanto menor a criança, maior o risco de óbito, porque ela não tem noção do que está acontecendo nem de como se proteger.””


