A influenciadora Virginia Fonseca, 27 anos, anunciou em suas redes sociais que foi diagnosticada com alopecia areata. Ela relatou que esta é a terceira vez que percebe falhas em seu couro cabeludo. ‘Apareceu uma alopecia em mim, gente, de novo… Na época da minha base surgiram três, tratei e ficou tudo certo. Agora, com essa, vou tratar e vai dar tudo certo também, se Deus quiser’, afirmou em seus stories do Instagram.
A alopecia areata é caracterizada pela perda súbita de cabelo em falhas arredondadas, que podem ocorrer no couro cabeludo, sobrancelhas ou até na barba. Trata-se de uma condição autoimune, onde o sistema imunológico ataca os folículos capilares. Embora não seja uma doença rara, a alopecia areata gera muitas dúvidas e impacta diretamente a autoestima e a vida social dos afetados.
Especialistas explicam que a condição se caracteriza pelo ataque do sistema de defesa do corpo aos folículos capilares. A dermatologista Debora Terra Cardial, membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia, detalhou: ‘Ela pode causar falhas arredondadas em diferentes áreas, não apenas no couro cabeludo, mas também em cílios, sobrancelhas e barba. Em alguns casos, há perda total dos cabelos ou de todos os pelos do corpo.’
A dermatologista Caroline Romanelli, da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo (SBD-RESP), explicou que a alopecia areata é considerada autoimune devido ao erro na regulação do folículo. ‘Há uma quebra do privilégio imunológico do folículo, que passa a ser reconhecido como um alvo. O sistema imune ataca erroneamente os folículos capilares, resultando na queda de cabelo.’
Fatores genéticos desempenham um papel importante na condição. Pessoas com histórico familiar de alopecia, vitiligo ou alterações da tireoide, além de indivíduos com síndrome de Down, têm maior risco. Estresse emocional ou físico pode atuar como gatilho, mas não são causas isoladas.
A alopecia areata pode se manifestar de diferentes formas: alopecia em placas (falhas arredondadas no couro cabeludo), alopecia total (perda de todo o cabelo da cabeça) e alopecia universal (perda de todos os pelos do corpo). A gravidade e a extensão da condição influenciam as opções de tratamento e o prognóstico.
Embora não exista cura definitiva para a alopecia areata, há terapias que podem estimular o crescimento dos fios e reduzir a progressão da doença. As opções incluem corticosteroides tópicos ou injetáveis, imunoterapia tópica e inibidores de JAK, como baricitinibe, que têm eficácia demonstrada em estudos internacionais, mas são de alto custo. Romanelli também menciona o uso de metotrexato e minoxidil como opções complementares.
O acompanhamento dermatológico é essencial para orientar e ajustar a estratégia de tratamento individual. Apesar de a condição não causar dor física, os efeitos psicológicos são significativos, afetando a autoestima e a confiança. ‘O impacto emocional pode ser profundo, afetando autoestima e confiança. Muitas pessoas relatam sentimentos de ansiedade e até depressão’, afirmou Caroline.
Para Cardial, o apoio deve ir além do tratamento clínico. ‘Grupos de suporte, acompanhamento psicológico e até o uso de perucas ou lenços podem ajudar no enfrentamento. O vínculo próximo com o dermatologista também faz diferença nesse processo.’ Não existe forma comprovada de prevenção, mas iniciar o tratamento precoce, cuidar da saúde geral e manejar o estresse são recomendações importantes.


