A disparada no preço dos alimentos se tornou um dos principais desafios para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. A percepção de alta nos preços saltou de 59% para 72% em apenas um mês, segundo o programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal.
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, explica que produtos como leite e carne são fundamentais na percepção de inflação, funcionando como ‘sinalizadores de preço’. Esses itens são frequentemente comprados por famílias com renda entre dois e cinco salários mínimos, grupo que apresenta perda de apoio nas pesquisas.
Meirelles destaca que a alta de preços afeta diretamente a imagem do governo e pode reforçar frustrações. Ele menciona a associação entre o custo da ‘picanha’ e promessas não cumpridas durante campanhas anteriores.
O cientista político Leandro Consentino avalia que reverter essa situação até a eleição será difícil. Ele aponta que fatores externos, como tensões internacionais, impactam a inflação interna e mantêm os preços elevados no curto prazo.
Embora o governo possa adotar medidas econômicas para estimular a economia, Consentino alerta que isso pode gerar consequências futuras. Ele menciona a expectativa de aumento de gastos públicos, uma estratégia comum em anos eleitorais, mas que pode resultar em uma ‘conta bastante salgada’ a partir de 2027.
A capacidade de Lula de transformar a economia em uma percepção positiva é crucial. Mesmo com indicadores macroeconômicos favoráveis, a experiência cotidiana do eleitor é o que realmente pesa. O humor econômico do eleitor se torna a variável decisiva para o resultado das urnas.


