A Petrobras anunciou um reajuste no preço do querosene de aviação, que terá impacto direto no bolso dos consumidores e na economia brasileira.
A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) alertou que a medida trará “consequências severas” para as companhias aéreas, que já enfrentam dificuldades financeiras. O combustível representa uma das principais pressões de custo do setor, correspondendo a cerca de 30% do custo operacional. Com a alta, esse percentual pode chegar a quase 40%, conforme afirmou o colunista Gilvan Bueno.
Os efeitos do reajuste devem ser sentidos rapidamente. Segundo Bueno, “segunda-feira, pós-feriado, já começa a ter uma sensibilidade de preços”, indicando que o aumento nas passagens aéreas deve ocorrer em um momento de demanda aquecida por viagens, com feriados prolongados e eventos importantes no segundo semestre, como a Copa do Mundo e o período eleitoral.
O aumento das passagens aéreas pode impactar a inflação. Bueno destacou que, na última leitura, a aviação representou entre 0,10 e 0,20 ponto percentual do IPCA, o que pode dificultar os planos de queda da taxa de juros pelo Banco Central.
Os efeitos do aumento do querosene se espalharão pela economia, começando pelo turismo. Capitais como o Rio de Janeiro devem ser mais afetadas, devido à combinação de passagens mais caras, combustíveis elevados e alta carga tributária, com ICMS de até 34% sobre combustíveis. “O impacto vai começar pelo turismo e depois se espalhar”, explicou Bueno.
Com cerca de 70% do PIB brasileiro concentrado no setor de serviços, o encarecimento do transporte aéreo tende a afetar diretamente a atividade econômica. Além disso, a pressão sobre os preços também deve alcançar alimentos e outros produtos, uma vez que grande parte da produção brasileira é escoada por rodovias. O aumento dos combustíveis eleva o custo logístico, impactando o diesel e, consequentemente, os preços.
Com mais de 30 milhões de brasileiros endividados, o cenário amplia os riscos para o consumo e o crescimento econômico. Economistas já projetam revisões nas expectativas de inflação do Boletim Focus, em razão do efeito em cadeia provocado pela alta dos combustíveis.


