Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) denunciaram a presença de insetos e objetos como cacos de vidro e fios metálicos em refeições servidas nos Restaurantes Universitários (RUs) da instituição. As ocorrências foram registradas entre março e abril de 2026 em diferentes campi do estado.
As denúncias foram compiladas em um dossiê elaborado pelo movimento estudantil independente. Segundo o documento, os problemas foram identificados tanto no almoço quanto no jantar e incluem a presença de moscas, abelhas, patas de barata, além de materiais como plástico, vidro e fio de cobre.
O dossiê aponta que os casos não são isolados e indicam um padrão de falhas sanitárias, representando risco à saúde dos estudantes. Em um dos relatos, uma aluna afirma ter encontrado patas de barata na marmita. Ao reclamar, recebeu a resposta de um funcionário: “o lixo é do lado da saída”. Outro estudante relatou ter encontrado um pedaço de fio de cobre dentro do feijão.
Além disso, há registros de alunos que afirmam ter mordido fragmentos semelhantes a vidro durante a refeição, e imagens mostram insetos dentro de pratos como sopa, purê e linguiça. O documento também inclui fotos que indicariam a presença de uma abelha viva na cuba de alimentos durante a distribuição, além de moscas dentro de preparações já prontas, o que sugere falhas no controle de pragas e nos processos de preparo.
O movimento estudantil pede apuração imediata dos casos, vistoria sanitária, revisão dos processos de preparo dos alimentos, controle de pragas e a criação de um canal permanente para denúncias.
A Ufal, em nota, informou que o dossiê não foi entregue oficialmente à gestão da universidade nem à gerência do RU. Segundo a instituição, o material ao qual teve acesso circula de forma extraoficial, dificultando a verificação da autenticidade das informações e das imagens. A universidade solicitou, por meio do DCE, que as denúncias sejam formalizadas para permitir apuração adequada.
A Ufal também informou que o Restaurante Universitário do Campus A.C. Simões, em Maceió, passou por inspeção da Vigilância Sanitária no dia 14 de abril. Foram registradas apenas observações pontuais, como necessidade de reparos estruturais e melhorias na limpeza e iluminação. A inspeção considerou adequadas as condições de conservação e qualidade dos alimentos e não indicou necessidade de interrupção do funcionamento do restaurante.
A gestão reconheceu problemas relacionados a filas e tempo de atendimento e disse que avalia medidas para melhorar o fluxo de usuários. A Ufal destacou que o RU passa por processo de ampliação e reforma com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Educação), com previsão de conclusão do processo licitatório nos próximos meses. A universidade reafirmou seu compromisso com a qualidade do serviço e com o diálogo com a comunidade acadêmica.

