O novo ministro da Agricultura, André de Paula, começou nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, a reaproximação com o agronegócio ao abrir diálogo direto com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Ele sinalizou uma mudança de postura na relação entre o Executivo e o Legislativo durante sua primeira reunião com a bancada desde que assumiu o cargo, há cerca de duas semanas.
André de Paula afirmou que pretende priorizar a interlocução com o setor e dar mais peso político à agenda agro dentro do governo. Logo na abertura da reunião, ele buscou marcar essa mudança ao reforçar o papel institucional da bancada. “Reconhecer a importância da FPA é reconhecer a principal ponte do setor com o Legislativo e o Executivo”, declarou, indicando que a relação com a frente será tratada como prioridade na condução da pasta.
O ministro destacou que sua presença na FPA foi um gesto deliberado para marcar o início dessa relação e organizar a escuta das demandas. “Hoje é um momento de inaugurar um processo de escuta qualificada”, disse.
André de Paula também enfatizou a proximidade com a liderança do grupo. Ele relembrou sua época como deputado federal, quando trabalhou junto ao ex-deputado Abelardo Lupion, pai do presidente da FPA, Pedro Lupion, referindo-se ao parlamentar como “Pedrinho” em diversos momentos da reunião.
O encontro ocorre após um período de desgaste na relação entre a bancada ruralista e a gestão do ex-ministro Carlos Fávaro, que deixou o cargo para disputar o Senado por Mato Grosso. Durante o mandato de Fávaro, a relação deteriorou-se em diversos momentos, com parlamentares da FPA criticando a falta de alinhamento em pautas centrais, como crédito rural, seguro agrícola e entraves ligados à agenda ambiental.
Ao abrir a reunião, Pedro Lupion não deixou a insatisfação com o ex-ministro de lado. Além de desejar boas-vindas a André de Paula, ele afirmou que espera uma relação melhor. “Quem sabe a gente possa construir pontes mais consistentes”, disse Lupion.
Durante o encontro, André de Paula indicou que pretende atuar de forma mais ativa dentro do governo na defesa dos interesses do setor. Ele afirmou que não pretende evitar embates internos, especialmente com o ministério do meio ambiente, e que vê como atribuição do cargo representar o agro na Esplanada.

