O Oceano Pacífico registrou na última segunda-feira (20) a primeira anomalia que indica a aproximação do fenômeno El Niño. A temperatura da superfície do mar na região central do Pacífico equatorial atingiu o limiar mínimo de +0,5°C, que caracteriza o aquecimento associado ao fenômeno.
Apesar desse registro, o El Niño ainda não foi oficialmente declarado. Para que isso ocorra, a anomalia precisa se manter por várias semanas, acompanhada de mudanças na circulação atmosférica. O fenômeno é monitorado por agências climáticas que analisam diferentes faixas do oceano equatorial, sendo a região chamada de Niño 3.4 a mais importante para essa declaração.
Desde 1° de maio de 2024, essa zona do oceano não atingia o patamar de +0,5°C. Naquela data, o Rio Grande do Sul enfrentava enchentes, em parte, devido ao superaquecimento do Pacífico. Meteorologistas indicam que o fenômeno pode estar plenamente configurado entre maio e junho.
A NOAA, agência climática americana, começou a utilizar um novo índice para calcular oficialmente o fenômeno, descontando o aquecimento geral dos oceanos. Com esse critério, o valor mais recente ainda é negativo, indicando que o Pacífico está tecnicamente dentro do território da La Niña, que está perdendo força.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos emitiu um alerta formal sobre a possibilidade do El Niño, com 61% de chance de consolidação entre maio e julho, podendo durar até o fim de 2026. As camadas mais profundas do oceano têm acumulado calor desde dezembro, o que pode acelerar o processo de aquecimento.
As previsões para o fim do ano indicam chances quase iguais de um evento moderado, forte ou muito forte, com uma probabilidade em quatro de que seja um dos El Niños mais intensos já registrados. O fenômeno costuma trazer chuvas acima da média no Sul do Brasil e períodos mais secos no Norte e Nordeste, mas os impactos concretos dependem do momento e da intensidade do fenômeno.
O El Niño é um aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador, que altera a circulação atmosférica e impacta o clima global. Historicamente, ele causa aumento de chuvas no Sul do Brasil e redução no Norte e Nordeste, além de maior frequência de ondas de calor.

