A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) instituiu dois grupos de trabalho para analisar o uso e os riscos dos medicamentos conhecidos como ‘canetas emagrecedoras’ no Brasil. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026.
A iniciativa marca uma nova fase na atuação da Anvisa sobre esses produtos, focando em reunir evidências e realizar uma avaliação mais abrangente sobre como esses medicamentos estão sendo utilizados no país.
As portarias nº 488 e nº 489 criam dois grupos com funções complementares. O primeiro grupo, com duração inicial de 45 dias, terá a missão de analisar evidências científicas, dados de utilização e informações de farmacovigilância, que monitora efeitos adversos de medicamentos. Esse grupo também deverá identificar riscos, incertezas e lacunas no conhecimento, além de propor recomendações técnicas para subsidiar decisões da diretoria da Anvisa.
A segunda frente, com prazo inicial de 90 dias, vai acompanhar e avaliar a implementação de um plano de ação relacionado a esses medicamentos. Entre suas atribuições estão monitorar resultados, identificar desafios e sugerir medidas de aprimoramento. Ambos os grupos têm caráter consultivo e devem consolidar relatórios técnicos ao final dos trabalhos.
O objetivo central é entender, com base em dados, como esses medicamentos estão sendo usados no Brasil, desde padrões de prescrição até possíveis eventos adversos. A partir desse diagnóstico, a Anvisa poderá estruturar orientações mais claras para profissionais de saúde e embasar eventuais ajustes nas regras de uso e acompanhamento.
As ‘canetas emagrecedoras’ pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, que imitam um hormônio produzido no intestino, atuando no controle da glicose e na regulação do apetite. Elas ajudam a reduzir a ingestão de alimentos ao retardar o esvaziamento do estômago e agir em áreas do cérebro ligadas à saciedade, sendo indicadas para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em situações específicas, da obesidade.
As portarias não alteram, por si só, as regras atuais. Contudo, os resultados dos grupos servirão de base técnica para decisões futuras da Anvisa, incluindo critérios de prescrição, estratégias de comunicação de risco e formas de monitoramento de efeitos adversos.
A criação dos grupos ocorre após uma série de medidas recentes da Anvisa envolvendo esses medicamentos. Nesta semana, a Anvisa proibiu a comercialização de canetas à base de tirzepatida trazidas do Paraguai, sem registro no Brasil e sem garantia de qualidade ou segurança. Dias antes, também rejeitou pedidos de registro de novos medicamentos com semaglutida e liraglutida, em um momento de maior movimentação do setor, marcado pela tentativa de entrada de novos fabricantes após a queda da patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como Ozempic e Wegovy.


