Um dia após anunciar um pacote de medidas para combater o comércio irregular de canetas antiobesidade, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) participa nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, de uma operação da Polícia Federal (PF). A ação visa a importação indevida, produção clandestina, falsificação e comércio irregular de medicamentos para obesidade, conhecidos como ‘canetas emagrecedoras’.
A operação, chamada de Operação Heavy Pen, está sendo realizada em 11 estados e cumpre 45 mandados de busca e apreensão. Além disso, a PF está realizando 24 ações de fiscalização em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, Sergipe e Santa Catarina.
De acordo com a nota da Polícia Federal, “a ação tem como foco o enfrentamento de grupos envolvidos na cadeia ilícita desses produtos, desde a importação fraudulenta até a distribuição e a comercialização irregular de substâncias de uso injetável”. Essa operação segue um plano de ação apresentado pela Anvisa para coibir a venda indiscriminada de produtos irregulares para perda de peso no Brasil.
O pacote de medidas da Anvisa abrange seis eixos, incluindo parcerias com agências reguladoras internacionais e a aceleração da aprovação do registro de novas canetas contra obesidade com comprovação de segurança e eficácia. A próxima reunião da diretoria da Anvisa está agendada para o dia 15 de abril de 2026.
A Anvisa identificou que a quantidade de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) que chega ao país supera a demanda do mercado, uma vez que a manipulação é permitida apenas em condições específicas. No segundo semestre do ano passado, foram importados 130 kg de IFAs de agonistas do GLP-1, correspondendo a 25 milhões de doses do medicamento.
Na operação desta terça-feira, além de produtos com os princípios ativos do Ozempic e Wegovy (semaglutida) e do Mounjaro (tirzepatida), os agentes estão verificando a presença de formulações com retatrutida, que ainda está em estudo e não tem autorização para comercialização. As fiscalizações estão sendo realizadas em farmácias de manipulação, clínicas estéticas e estabelecimentos que não cumprem a regulação sanitária.
As condutas investigadas podem caracterizar crimes relacionados à falsificação e à comercialização irregular de medicamentos, além de contrabando, conforme explicou a PF. O uso de canetas emagrecedoras irregulares representa riscos à saúde, pois não há garantia de controle de qualidade e a administração deve ser feita sob supervisão médica.
Dados da Anvisa indicam que 26% dos eventos adversos registrados estão relacionados ao uso off-label dos medicamentos, com o mais grave sendo a pancreatite aguda, já relatada pela Anvisa e pelo governo do Reino Unido. O número de apreensões de canetas antiobesidade irregulares tem aumentado, passando de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025. Até março de 2026, já foram apreendidas 54.577 unidades.

