A inflação na Argentina atingiu 3,4% em março de 2026, conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) nesta terça-feira (14). O resultado representa uma aceleração em relação aos 2,9% registrados em fevereiro e marca a maior taxa mensal em um ano.
No acumulado em 12 meses até março, a inflação ficou em 32,6%, abaixo dos 33,1% do mês anterior. Os setores que apresentaram as maiores altas em fevereiro foram educação (12,1%) e transporte (4,1%). Em seguida, aparecem habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (3,7%), recreação e cultura (3,6%), restaurantes e hotéis (3,4%) e alimentos e bebidas não alcoólicas (3,4%).
Os dados históricos do Indec mostram que o índice oficial de preços da Argentina melhorou o ritmo mensal ao longo de 2024, primeiro ano da gestão de Javier Milei. No entanto, em 2025, a taxa mensal permaneceu entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. A partir de maio, a inflação começou a acelerar gradualmente, evidenciando os desafios do governo para reduzir o índice de forma consistente.
A Argentina passou por um forte ajuste econômico sob a liderança de Milei. Após assumir o cargo em dezembro de 2023, ele decidiu paralisar obras federais e interromper o repasse de dinheiro para os estados, além de retirar subsídios de tarifas essenciais. Isso resultou em um aumento expressivo nos preços ao consumidor e uma intensificação da pobreza, que alcançou 52,9% da população no primeiro semestre de 2024, embora tenha caído para 28,2% no segundo semestre de 2025.
No terceiro trimestre de 2025, Milei enfrentou uma crise política após um escândalo envolvendo sua irmã, Karina Milei, que está sendo investigada por corrupção. A situação política se agravou após uma derrota nas eleições da província de Buenos Aires, resultando em uma queda significativa do peso argentino, que atingiu seu menor valor histórico em 1.423 por dólar.
O governo argentino buscou apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, para conter a instabilidade nos mercados. Em 20 de outubro, os dois países oficializaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões, aumentando a confiança dos investidores. Após a confirmação do apoio financeiro, Milei obteve uma vitória nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado em 26 de outubro, o que ajudou a estabilizar a situação econômica.
Em 11 de abril, o governo de Milei alcançou um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), com a primeira parcela de US$ 12 bilhões disponibilizada logo em seguida. O acordo representa um voto de confiança no programa econômico do presidente. O governo também anunciou a redução dos controles cambiais, permitindo um câmbio flutuante e buscando eliminar restrições que prejudicam os negócios e investimentos.
Nos últimos meses, medidas monetárias, fiscais e cambiais foram implementadas para injetar dólares na economia. Em maio de 2025, foi permitido que cidadãos utilizassem dólares guardados fora do sistema financeiro sem declarar a origem. O governo também anunciou intervenções no mercado de câmbio para estabilizar a inflação e atrair investimentos.

