A Nasa lançou, nesta quarta-feira (1º de abril), a Artemis II, a primeira missão tripulada rumo à Lua desde o fim do programa Apollo, em 1972. No entanto, a missão não fará um pouso no nosso satélite.
Esta é uma missão de teste tripulada que preparará o terreno para o pouso lunar da Artemis III, previsto para acontecer alguns anos depois. Se tudo ocorrer como planejado, essa viagem ao redor da Lua levará cerca de 10 dias e será a primeira vez em mais de 50 anos que seres humanos viajarão para além da órbita terrestre.
A missão começará com o lançamento do foguete SLS do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em 1º de abril. Após a decolagem, a Orion e seu estágio superior entrarão em órbita ao redor da Terra, onde permanecerão por aproximadamente um dia completo. Durante esse período, os astronautas devem realizar checagens importantes dos sistemas da nave.
Fotógrafos registraram o foguete Space Launch System (SLS) com a cápsula Orion na plataforma 39B, antes do lançamento da missão Artemis II, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA), em 31 de março de 2026.
Durante a fase em órbita terrestre, a tripulação também assumirá o controle manual da Orion para um teste inédito. Os astronautas vão pilotar a cápsula nas proximidades de uma parte do foguete já separada, simulando manobras que serão necessárias em missões futuras, como a aproximação de outras naves e estruturas no espaço, incluindo a estação lunar Gateway.
Ao se aproximar da Lua, a Orion passará entre 6.400 e 9.600 quilômetros acima da superfície lunar, distância que deve variar conforme a data exata do lançamento. Mesmo sendo mais distante do que o sobrevoo feito pela Artemis I, a trajetória ainda levará os astronautas a dezenas de milhares de quilômetros mais perto da Lua do que qualquer ser humano esteve nos últimos 50 anos.
O momento mais marcante da missão deve acontecer quando a cápsula voar atrás do lado oculto da Lua, que não conseguimos avistar da Terra. Durante essa passagem, a tripulação ficará sem comunicação com a Terra por 30 a 50 minutos, enquanto fotografa e filma a superfície lunar para observações científicas.
Após contornar a Lua, a Orion viajará aproximadamente 7.500 km além do lado oculto, alcançando o ponto mais distante da Terra que humanos já atingiram, quebrando o recorde estabelecido pela Apollo 13 em 1970. Diferentemente das missões Apollo, a Artemis II não depende de grandes queimas de motor para voltar. Depois de passar pela Lua, a Orion entra em uma trajetória de retorno livre, onde a gravidade conduz a espaçonave de volta à Terra.
No total, a Orion viajará mais de 2,2 milhões de quilômetros durante sua missão. Ao retornar, a espaçonave entrará na atmosfera terrestre a aproximadamente 40.000 km/h, uma das reentradas mais rápidas já realizadas por uma nave tripulada. O escudo térmico da Orion enfrentará temperaturas de cerca de 3.000 graus Celsius.
Finalmente, após uma sequência de paraquedas, a cápsula amerissará no Oceano Pacífico, onde será recuperada pela Nasa.


