A missão Artemis II, que marca a primeira viagem tripulada à Lua em 50 anos, dará um passo importante nas próximas horas com a inserção da nave na trajetória translunar.
Segundo o capitão engenheiro Bruno Mattos, do Centro Espacial do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), os astronautas levarão entre 22 e 24 horas para alcançar a trajetória final rumo ao satélite natural da Terra.
Durante uma entrevista, o especialista explicou que o foguete SLS (Space Launch System) já completou as primeiras etapas da missão, incluindo a separação dos boosters laterais e do corpo principal.
Atualmente, o segundo estágio do foguete, juntamente com o módulo de serviço e a cápsula Orion, realiza duas órbitas ao redor da Terra antes de iniciar a viagem à Lua propriamente dita.
O capitão Mattos detalhou que essas duas órbitas terrestres são essenciais para a realização de diversos testes que validarão o funcionamento do novo conjunto com a tripulação a bordo.
““O que eles vão fazer são vários testes para validar e certificar esse novo conjunto, que é novo, com a tripulação”,”
explicou o capitão. Uma das manobras previstas após a separação do segundo estágio é uma aproximação controlada, que servirá como ensaio para futuras missões.
Após completar a segunda órbita elíptica ao redor da Terra, ocorrerá a separação do segundo estágio do foguete. A partir desse momento, apenas o módulo de serviço, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, e a cápsula Orion, onde estão os astronautas, seguirão viagem.
O módulo de serviço, que conta com propulsores próprios, será responsável por realizar a queima final que colocará a nave na trajetória translunar.
A cápsula Orion representa um avanço significativo em relação às missões Apollo realizadas há cinco décadas. Com cinco metros de diâmetro, ela comporta quatro astronautas, enquanto as cápsulas Apollo levavam apenas três tripulantes.
Outro detalhe curioso revelado pelo especialista é que a Orion é a primeira nave que sai da órbita terrestre equipada com banheiro, um conforto que não existia nas missões Apollo.
Durante a jornada de dez dias, o módulo de serviço fornecerá energia para a cápsula através de painéis solares e baterias, além de abrigar o sistema de controle de atitude da nave.
Este módulo permanecerá acoplado à Orion durante toda a viagem, inclusive no retorno, sendo separado apenas algumas horas antes da reentrada na atmosfera terrestre.
Após a separação, o módulo de serviço será direcionado para queimar na atmosfera da Terra, enquanto a cápsula com os astronautas fará o pouso com segurança.

