Astronautas da missão Artemis II utilizam um relógio com tecnologia desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP). O equipamento, conhecido como actígrafo, foi reconhecido internacionalmente por seu uso no monitoramento de astronautas em missões do programa Artemis da NASA, que visa ampliar a presença humana no espaço.
O actígrafo é capaz de registrar continuamente padrões de sono, atividade e exposição à luz. O dispositivo foi desenvolvido na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) sob a coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em cronobiologia e estudos do sono. Em ambientes extremos como o espaço, entender os ritmos circadianos é crucial para garantir a saúde, o desempenho e a segurança dos astronautas.
O dispositivo é utilizado no pulso e permite o acompanhamento detalhado de variáveis como movimento corporal, intensidade luminosa e a composição espectral da luz ambiente, incluindo a luz azul, que é um fator determinante na regulação do ciclo sono-vigília.
A tecnologia teve origem em pesquisas na EACH/USP e recebeu financiamento inicial do Programa PIPE da FAPESP, que apoia a inovação em pequenas empresas. O dispositivo foi aprimorado e produzido pela empresa Condor Instruments, tornando-se uma ferramenta de alta precisão com alcance global.
O actígrafo pode ser visto nas imagens divulgadas pela NASA no pulso do astronauta Reid Wiseman. Diferentemente de dispositivos comerciais voltados ao bem-estar, o actígrafo da USP tem foco científico e é amplamente utilizado em estudos nas áreas de cronobiologia, neurociências e saúde pública.
Com sua capacidade de monitoramento contínuo, o dispositivo permite investigar como a exposição irregular à luz e a desorganização dos horários de sono afetam o organismo humano. Para a EACH/USP, a utilização do actígrafo em missões espaciais representa uma conquista significativa, evidenciando o impacto global da pesquisa desenvolvida na instituição e reforçando o papel da universidade pública brasileira na produção de conhecimento científico de excelência.
Além de seu uso em contextos extremos, os dados gerados pelo actígrafo também contribuem para pesquisas sobre distúrbios do sono e podem subsidiar políticas públicas voltadas à organização dos tempos sociais, impactando diretamente a qualidade de vida da população.

