A granja de suínos da Auma Agronegócios, situada em Patos de Minas (MG), tornou-se a primeira do Brasil a receber a certificação de bem-estar animal da Produtor do Bem. O reconhecimento abrange todas as fases de produção, incluindo gestação, maternidade, creche e terminação.
A avaliação considerou diversos aspectos do sistema produtivo, como ambiência, sanidade, enriquecimento ambiental, alimentação, práticas de manejo e gestão operacional. O selo, que possui validade de um ano, representa a primeira certificação concedida pela Produtor do Bem a uma empresa do setor suinícola, introduzindo um novo nível de exigência técnica no país.
O protocolo da Produtor do Bem se destaca por adotar critérios mais rigorosos do que os normalmente praticados no Brasil e em parte dos programas internacionais, especialmente no manejo de matrizes. Entre os principais pontos está a implementação do sistema “cobre-solta”, onde as fêmeas são inseminadas e, em seguida, alojadas em grupo, eliminando o confinamento em gaiolas após a inseminação, o que é permitido por muitos protocolos que admitem de 28 a 35 dias de permanência em celas individuais.
Esse modelo proporciona maior liberdade de movimento e expressão de comportamentos naturais, sendo considerado um dos níveis mais avançados de bem-estar na suinocultura. A CEO da Auma Agronegócios, Lucimar Silva, afirmou que a certificação reforça o compromisso e o posicionamento estratégico da empresa na suinocultura. “O bem-estar animal é um pilar fundamental dentro da nossa estratégia, pois está diretamente ligado à sustentabilidade, à eficiência produtiva, ao cuidado com os animais e à qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor”, declarou.
Lucimar destacou que a certificação da Produtor do Bem valida práticas que já fazem parte da cultura da empresa e contribui para a padronização dos processos de manejo, ambiência, sanidade e gestão. “A produção responsável faz parte da atuação do Ecossistema Auma em diferentes atividades agrícolas, que já contam com certificações socioambientais. O novo reconhecimento, agora na área de suínos, fortalece esse histórico de produção consciente”, explicou.
O gerente de produção do Ecossistema Auma, Baltazar Vieira, ressaltou que o processo de implementação das práticas na granja começou em 2022, com apoio técnico especializado, considerando o sistema produtivo como um ecossistema que envolve animais, colaboradores e meio ambiente. “Os resultados práticos já podem ser observados nos indicadores produtivos, como a redução da taxa de natimortos de 8% para 3% após três meses da adoção de práticas de enriquecimento ambiental”, afirmou.
A granja também deixou de utilizar ocitocina há dois anos, eliminou o corte de dentes e reduziu o corte de cauda, sem aumento de casos de canibalismo. Vieira enfatizou que o bem-estar animal está diretamente relacionado ao desempenho produtivo, pois melhorias em nutrição, sanidade, infraestrutura e capacitação das equipes refletem em melhores índices zootécnicos e maior valor agregado ao produto.


