Um avanço antecipado da gripe em 2026 está pressionando o sistema de saúde brasileiro, especialmente entre a população idosa, com 60 anos ou mais. Dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe) mostram um aumento expressivo nas hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por influenza nos primeiros meses do ano.
Entre janeiro e a segunda semana de março de 2026, as internações nessa faixa etária cresceram 153% em comparação ao mesmo período do ano passado. Em 2025, as hospitalizações mais do que dobraram em relação a 2024, com um crescimento de 134,7% em internações em UTI e óbitos.
A infectologista Nancy Bellei, professora da Unifesp e membro do comitê de Infecções Respiratórias Virais da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca que a circulação da influenza em 2026 tem chamado a atenção pelo aumento no número de casos e hospitalizações. “O comportamento do vírus neste ano indica uma presença mais precoce e contínua”, afirma.
““A gripe continua sendo uma infecção de alto impacto, com potencial de causar quadros graves e mortes, principalmente em idosos”, diz Dra. Nancy.”
Outro fator central é a baixa cobertura vacinal. O médico Drauzio Varela ressalta a desinformação sobre a vacinação. “As vacinas são especialmente importantes para o início da vida e para as fases mais avançadas”, explica.
A infectologista Rosana Richtmann alerta que a gripe pode desencadear complicações graves, especialmente em idosos e pessoas com doenças pré-existentes. “A principal complicação é você ter que ir para o hospital”, destaca.
Ela também menciona o descompasso entre a circulação do vírus e o início da vacinação, que em 2026 começou a se espalhar antes do esperado, atingindo uma população ainda não imunizada. “Esse ano está ao contrário”, explica.
A desinformação sobre a vacinação continua a ser um desafio. A bióloga Mari Krueger aponta que combater informações falsas é uma tarefa crescente. “A desinformação é viral, é muito mais fácil de ser produzida”, afirma.
Diante do aumento de casos graves, a vacinação anual permanece como a principal ferramenta para reduzir hospitalizações e mortes, especialmente entre os idosos.

