O Avante não conseguiu formatar uma chapa competitiva e perdeu o espaço que buscava como uma ‘quarta via’ na base governista. A migração de Romário Policarpo para o Cidadania expôs a fragilidade do partido em Goiás, especialmente na reta final do prazo de filiação partidária.
A avaliação predominante na legenda era de que o Avante não conseguiu montar uma nominata com densidade suficiente para eleger um deputado estadual, mesmo com a filiação do presidente da Câmara de Goiânia. Nos bastidores, havia a expectativa de que o partido pudesse abrigar nomes médios e chapas de menor envergadura, especialmente diante da reorganização partidária promovida pela federação entre o PRD e Solidariedade.
No entanto, essa aposta perdeu força ao longo das negociações. A saída de Bruno Peixoto para o União Brasil foi um golpe final. O diagnóstico era de que, apesar da previsão inicial de obter 20 mil votos com Policarpo, o Avante não teria lastro suficiente para garantir a eleição de um deputado estadual.
Na prática, a legenda não transmitia segurança nem ao próprio grupo nem a potenciais candidatos, o que prejudicou a montagem da chapa. Policarpo chegou a ser cogitado no Democracia Cristã (DC), mas não encontrou espaço para viabilizar sua candidatura. O abrigo encontrado foi o Cidadania, que está federado com o PSDB.
A nível nacional, a federação entre Cidadania e PSDB permanece, o que deve influenciar no apoio de Policarpo ao governo estadual. O presidente do Cidadania, Iure de Castro, indicou que Policarpo deixa oficialmente a base de Daniel Vilela (MDB) e passa a integrar a oposição com o grupo do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Policarpo, entretanto, não se manifestou publicamente sobre essa mudança.


