A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, expôs um esquema de fraudes financeiras envolvendo os bancos de Brasília (BRB) e Master. A operação afetou a confiança na instituição pública do Distrito Federal e suas consequências impactam os quase 5 mil empregados do BRB.
“Estamos todos, sociedade e trabalhadores, pagando a conta de uma decisão política de salvar o Master”, afirmou Daniel Oliveira, diretor do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal e funcionário do BRB desde 2008. O sindicato recebeu relatos de um ambiente de trabalho mais estressante, especialmente para os funcionários convocados a depor sobre as negociações com a instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março.
Oliveira destacou que analistas de áreas que tiveram acesso às discussões com o Master estão sendo questionados. As negociações resultaram na aquisição de bilhões de reais em créditos do banco de Vorcaro e culminaram com a intenção do BRB de comprar parte do Master por R$ 2 bilhões. O Banco Central rejeitou a operação dois meses antes de determinar a liquidação extrajudicial do banco privado.
A crise institucional é sem precedentes na história do BRB, criado em 1964. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso na manhã de 16 de abril. Oliveira mencionou que muitos clientes buscam informações sobre a solidez do banco e os riscos para seus investimentos, com alguns considerando resgatar seu dinheiro.
Os funcionários estão apreensivos e sem respostas para as perguntas dos clientes. “Nossos empregos também estão em jogo. Somos cobrados a dar satisfações sobre fatos que escapam da nossa alçada”, disse Oliveira. O sentimento entre os trabalhadores oscila entre indignação e apatia, especialmente porque alguns já haviam apontado irregularidades nas negociações com o Master antes da operação da PF.
A ansiedade também afeta cerca de 3 mil aposentados do BRB, cujos planos de saúde e previdência complementar dependem da saúde financeira do banco. A Previdência BRB tenta tranquilizar os clientes, afirmando ter um patrimônio de mais de R$ 4,39 bilhões, segregado dos recursos de patrocinadores.
O BRB possui mais de R$ 80 bilhões em ativos de mais de 10 milhões de clientes e sugere que pode absorver eventuais prejuízos. No entanto, Oliveira alertou que as incertezas podem assustar investidores e o mercado. A falta de clareza sobre o impacto da compra de ativos do Master levou a agência de classificação Moody’s a rebaixar a nota do BRB.
O clima entre os funcionários é tenso, e o BRB tem se manifestado por meio de comunicados oficiais. O novo presidente, Nelson de Souza, não compareceu a uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Distrito Federal, o que gerou irritação entre os deputados. Eles aprovaram sua convocação para depor.
Oliveira criticou a exposição negativa na imprensa, que pode alimentar a narrativa de privatização do banco. Ele afirmou que a crise paralisou projetos de expansão do BRB e que a convocação de novos funcionários está condicionada à solução da crise. A governadora Celina Leão admitiu que a diretoria do BRB avalia o fechamento de agências em outras unidades da federação, mas garantiu que o banco não vai quebrar.


