O Banco de Brasília (BRB) anunciou na noite de terça-feira, 31, um plano de capitalização que deve ser concluído até o fim de maio de 2026. A divulgação das demonstrações financeiras do terceiro e quarto trimestres de 2025 foi adiada devido à auditoria forense relacionada à operação “Compliance Zero”.
O BRB não divulgou os números financeiros, mas informou que a apresentação do balanço era essencial para evitar o risco de liquidação pelo Banco Central. A instituição afirmou que a medida visa assegurar a transparência e a integridade das demonstrações financeiras, em conformidade com os deveres legais e fiduciários.
A nova data para a publicação do balanço não foi informada, mas o banco indicou que o assunto será reavaliado após a conclusão das auditorias. O BRB busca cobrir um rombo estimado em R$ 12 bilhões, resultante da compra de carteiras de crédito do Banco Master, que estavam, em sua maioria, sem lastro.
Entre as estratégias para reforçar o capital, o BRB planeja um empréstimo de R$ 4 bilhões via Fundo Garantidor de Crédito (FGC), captação de outros R$ 4 bilhões com um sindicato de bancos, criação de um fundo de investimento imobiliário (FII) com terrenos públicos, venda de participações em subsidiárias e alienação de ativos saudáveis do Banco Master.
O Banco Central estabeleceu o dia 5 de agosto como prazo final para a conclusão desse plano, mas o BRB reiterou que pretende finalizar essa etapa até o fim de maio. Apesar da possibilidade de liquidação a partir de 1º de abril, analistas consideram improvável que o Banco Central tome essa medida, devido ao alto custo que isso traria ao sistema financeiro.
Dados do Banco Central mostram que o BRB possui R$ 52 bilhões em depósitos, que são cobertos pelo FGC. Uma liquidação poderia gerar um custo muito superior ao valor do empréstimo solicitado. O FGC já solicitou a documentação necessária para avançar no processo de empréstimo, o que é visto como um sinal positivo para a busca de uma solução menos drástica.
O BRB também convocou uma assembleia geral de acionistas para o dia 22 de abril de 2026, onde será discutido um aumento de capital e a indicação de novos membros para o Conselho de Administração. A situação do banco é delicada, mas a avaliação é que os custos de uma liquidação seriam mais danosos do que a concessão de mais tempo para a capitalização.

