Bancos americanos com operações na Europa colocaram seus funcionários em alerta após uma tentativa de atentado em Paris. O incidente gerou preocupações sobre a segurança das instituições financeiras e a tensão envolvendo o Irã.
O Goldman Sachs e o Citigroup autorizaram seus funcionários na capital francesa a trabalhar remotamente. A decisão foi tomada após a polícia frustrar um plano de ataque contra um escritório do Bank of America na cidade.
A tentativa de atentado ocorreu no fim de semana, quando policiais impediram que suspeitos instalassem um artefato explosivo improvisado em uma unidade do Bank of America, localizada em uma região central de Paris. Quatro pessoas foram detidas, incluindo três adolescentes.
De acordo com promotores franceses, o principal suspeito teria recrutado os menores para executar o ataque em troca de pagamento. Essa estratégia chamou a atenção de especialistas, pois indica o uso de intermediários locais.
As investigações apontam uma possível ligação com o grupo Ashab al-Yamin, que se apresenta nas redes sociais como uma organização alinhada ao Irã. O grupo incitou ataques contra comunidades judaicas e empresas ocidentais na Europa, além de já ter reivindicado ações incendiárias no Reino Unido, na Bélgica e na Holanda.
Em resposta ao risco, instituições financeiras reforçaram seus protocolos de segurança e reduziram a presença física de funcionários. O Goldman Sachs liberou o trabalho remoto opcional em Paris, enquanto o Citigroup estendeu a medida para sua equipe em Frankfurt.
O JPMorgan Chase não comentou oficialmente, mas fontes indicam que o banco aumentou o nível de segurança em suas operações globais após o episódio. Autoridades francesas afirmaram que não foram encontrados indícios concretos de ameaça direta contra o Goldman, mas mantiveram vigilância reforçada em locais sensíveis, como embaixadas e sedes de grandes empresas.
A polícia de Paris ampliou o policiamento na cidade, enquanto promotores antiterrorismo investigam se há coordenação entre os ataques recentes. Especialistas em segurança veem indícios de uma estratégia mais ampla, sugerindo o uso de redes locais incentivadas por grupos com alinhamento ideológico ao Irã.
Esse tipo de atuação, conhecido como operação híbrida, já foi atribuído a Teerã em diferentes contextos internacionais. O episódio ocorre em um momento de forte tensão internacional, com o conflito envolvendo o Irã gerando impactos na segurança global.
Embora ainda não haja confirmação oficial de envolvimento direto do governo iraniano, autoridades europeias consideram plausível a existência de conexões indiretas. A participação de menores de idade, recrutados online e pagos para executar ações violentas, reforça a dificuldade das autoridades em antecipar e prevenir esse tipo de ameaça.
Diante desse contexto, a resposta inicial de bancos e autoridades indica uma estratégia de contenção e prevenção, enquanto as investigações buscam esclarecer o alcance e a origem da ameaça.

